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Lula diz que País tenta reconstruir indústria de fertilizantes; 'Não podemos nos tornar dependentes'

Presidente está em viagem à Europa e criticou a gestão de Bolsonaro por ter permitido o fechamento de fábricas no Brasil

16 abr 2026 - 22h11
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BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel, publicada nesta quinta-feira, 16, que o Brasil está tentando reconstruir a indústria de fertilizantes para não se tornar "dependente" de outros países no setor.

O presidente disse ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fechou fábricas de fertilizantes e que o setor deveria ter sido impulsionado no passado. Ainda de acordo com Lula, o Brasil enfrenta problemas na área desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia.

"Desde o início da guerra na Ucrânia, temos enfrentado problemas com o fornecimento de fertilizantes. Deveríamos ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. Em vez disso, o governo do meu antecessor fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes. Agora, estamos tentando reconstruir nossa própria indústria. Não podemos nos tornar dependentes de outros", declarou.

Sobre o conflito no Oriente Médio, deflagrado no final de fevereiro quando uma ação coordenada por Estados Unidos e Israel culminou na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, Lula disse que o governo tomou medidas para evitar que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam. As medidas se tratam de subsídios anunciados pelo Planalto para mitigar os efeitos da guerra.

"Esta guerra contra o Irã levou a um aumento de 35% nos preços da gasolina nos EUA. Aqui no Brasil, tomamos medidas para evitar que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam. É assim que evitamos que a guerra impacte o almoço dos brasileiros", afirmou.

Neste final de semana, Lula vai participar, ao lado do chanceler alemão, Friedich Merz, da Feira de Hannover. Segundo o petista, a ocasião servirá para demonstrar aos empresários internacionais os avanços brasileiros no setor de biocombustíveis.

O petista afirmou ao jornal alemão que o Brasil vai encontrar clientes em outras partes do mundo, caso os Estados Unidos não queiram fazer comércio com o País.

Lula disse ainda que conseguiu, durante o atual mandato, abrir 518 novos mercados internacionais e que, por isso, não vai ficar "de braços cruzados reclamando".

"Se Trump não quiser comprar nada de mim, simplesmente encontrarei meus clientes em outro lugar. Em três anos e meio, abrimos 518 novos mercados para produtos brasileiros. Não ficarei de braços cruzados reclamando", disse o presidente.

Estadão
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