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Dólar fecha em alta, próximo dos R$ 5,05, após Flávio Bolsonaro admitir visita a Vorcaro

Moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 0,86%, aos R$5,0416

19 mai 2026 - 17h14
(atualizado às 17h34)
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Pessoa exibe notas de dólar americano após sacar dinheiro em um banco em Harare, Zimbábue, 9 de julho de 2019. REUTERS/Philimon Bulawayo
Pessoa exibe notas de dólar americano após sacar dinheiro em um banco em Harare, Zimbábue, 9 de julho de 2019. REUTERS/Philimon Bulawayo
Foto: Reuters

O dólar fechou a terça-feira novamente em alta e ‌próximo dos R$5,05, impulsionado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e pelo cenário político brasileiro, após nova pesquisa eleitoral mostrar queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.

Em novo episódio do escândalo do banco Master, Flávio Bolsonaro confirmou no início da tarde que se reuniu com o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, em 2025, após o banqueiro ter sido preso pela primeira vez.

O dólar à vista fechou em alta de 0,86%, aos R$5,0416. No ano, a divisa passou ⁠a acumular queda de 8,15% ante o real.

Às 17h04, o dólar futuro para junho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- ‌subia 1,01% na B3, aos R$5,0580.

A sessão foi marcada pelo avanço do dólar em todo o mundo, influenciado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou um ataque militar planejado para ‌esta terça-feira.

Trump afirmou que há "uma chance muito boa" de um acordo com ‌o país na área nuclear, mas nesta terça-feira disse que os EUA podem precisar atacar o Irã novamente.

Neste ⁠cenário, o dólar subia ante o real, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, entre outras divisas de países emergentes.

O avanço no Brasil foi amplificado novamente pelo cenário político. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg apontou pela manhã que as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da disputa pelo Planalto subiram de 46,6% para 47%, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%. Nas simulações de segundo turno, Lula avançou ‌de 47,8% para 48,9%, enquanto o senador caiu de 47,8% para 41,8%.

A queda de Flávio Bolsonaro ocorre na esteira da publicação ‌de reportagem do Intercept Brasil informando que ⁠o senador pediu R$134 milhões ⁠a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de ⁠Estado.

O parlamentar negou ter cometido qualquer irregularidade, alegando ter buscado recursos privados ‌para o filme sem oferecer qualquer ‌vantagem em troca.

A pesquisa Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A primeira reportagem sobre a relação entre Flávio e Vorcaro foi publicada pelo Intercept Brasil na tarde do dia 13. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos.

No início da tarde desta terça-feira, Flávio ⁠admitiu que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo, após o banqueiro ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira, no final de 2025.

Em sua justificativa, o presidenciável afirmou que, desde maio do ano passado, Vorcaro deixou de honrar os compromissos que havia assumido para financiar o filme sobre o pai. Segundo Flávio Bolsonaro, o encontro com o banqueiro teve como objetivo colocar um "ponto final" nas ‌tratativas e buscar novos financiadores.

Às 12h15, o dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,0588 (+1,20%), enquanto Flávio Bolsonaro confirmava, em Brasília, ter se encontrado com Vorcaro.

"Dentro do Brasil, (temos) mais um 'Flávio Day' que está impactando bastante", comentou durante ⁠a tarde Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, ao justificar o avanço do dólar ante o real.

De acordo com Viotto, o mercado esteve "entorpecido" nos últimos meses com a possibilidade de vitória de uma candidatura mais à direita em outubro, o que em tese poderia significar uma mudança de postura do governo na área fiscal.

No entanto, o envolvimento de Flávio com Vorcaro alterou o humor dos investidores.

"Quando surgem notícias que fortalecem a perspectiva de reeleição do presidente Lula, há um aumento na percepção de riscos fiscais para os ativos brasileiros e, consequentemente, uma maior exigência de prêmios de risco pelos investidores, movimento que tende a pressionar negativamente a moeda brasileira", disse pela manhã Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito.

A avaliação no mercado é de que Flávio Bolsonaro está na defensiva, "esperando acontecer um fato para se mexer", pontuou Viotto. "Ele está 'atrás da curva'. Isso é um problema, porque o mercado fica sem saber para onde correr."

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

(Edição de Isabel Versiani)

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