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TCU vê desalinhamento entre dividendos, dívida e investimentos da Petrobras em 2024

Corte aponta que proventos pagos pela estatal ficaram 88% acima do estimado no plano estratégico, enquanto investimentos ficaram 39% abaixo do planejado; Petrobras não se manifestou até o momento

19 mai 2026 - 18h22
(atualizado às 18h31)
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BRASÍLIA - O Tribunal de Contas de União (TCU) concluiu nesta terça-feira, 19, que a Petrobras executou, em 2024, uma política financeira desalinhada de seu próprio planejamento estratégico, com pagamento de dividendos e amortização de dívidas acima do previsto e investimentos abaixo das metas estabelecidas pela companhia.

Procurada, a Petrobras nao se manifestu até o momento

O plenário do TCU apontou que os dividendos pagos pela estatal ficaram 88% acima do estimado no plano estratégico, enquanto os pagamentos de dívidas superaram as projeções em 49%. Em sentido oposto, os investimentos (CAPEX) ficaram 39% abaixo do planejado.

Nardes afirmou em seu voto que a Petrobras apresenta sinais de deterioração em indicadores financeiros e operacionais, com aumento da alavancagem e queda de rentabilidade
Nardes afirmou em seu voto que a Petrobras apresenta sinais de deterioração em indicadores financeiros e operacionais, com aumento da alavancagem e queda de rentabilidade
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil / Estadão

"Constatou-se que os fluxos de caixa realizados apresentaram variações expressivas em relação ao planejamento inicial. Assim, o pagamento de dívidas foi 49% superior ao previsto, os dividendos ficaram 88% acima do estimado, enquanto os investimentos foram 39% inferiores ao planejado.

Essa execução não esteve alinhada ao plano estratégico nem ao guidance da companhia, uma vez que os investimentos, que deveriam ser prioridade, acabaram sendo o menor fluxo realizado", afirmou o ministro relator, Augusto Nardes, no acórdão.

Inversão de prioridades

Segundo a Corte, houve uma "inversão de prioridades" na execução financeira da empresa, uma vez que o plano estratégico previa direcionar a maior parte da geração de caixa para investimentos.

"Essa inversão na execução não apenas fragiliza o cumprimento das metas estratégicas, como também sugere ausência de ajustes tempestivos ao longo do exercício."

Nardes afirmou em seu voto que a Petrobras apresenta sinais de deterioração em indicadores financeiros e operacionais, com aumento da alavancagem e queda de rentabilidade.

O tribunal destacou que a dívida bruta da estatal voltou a crescer nos últimos anos, atingindo US$ 64,7 bilhões no primeiro trimestre de 2025, impulsionada principalmente pelo aumento dos arrendamentos de plataformas e navios.

O TCU também observou tendência de queda em indicadores como margem EBITDA e ROCE (retorno sobre capital empregado), além de maior custo de dívida e alavancagem em comparação com grandes petroleiras internacionais, como BP, Shell e ExxonMobil.

Apesar das conclusões, o tribunal não aplicou sanções à companhia. O acórdão determina recomendações para aprimorar a governança financeira da estatal.

Entre as medidas, o TCU recomendou que a Petrobras estabeleça limites formais de tolerância para variações em dividendos, investimentos e endividamento, além da criação de planos de contingência para situações de desvio relevante em relação ao plano estratégico.

Estadão
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