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Firing Festival? Unicórnio Hotmart demite 12% de sua equipe

Um mês depois de seu grande evento anual, Hotmart demitiu cerca de 227 colaboradores, alegando volatilidade no mercado de tecnologia

21 out 2022 - 10h34
(atualizado em 22/10/2022 às 10h40)
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Um mês atrás, nós do Startups estávamos em Belo Horizonte acompanhando o Fire Festival, evento presencial da Hotmart que reuniu cerca de 6 mil pessoas e celebrou o momento de crescimento da economia criativa no país - e também da própria, Hotmart, é claro. Corta para um mês depois e a empresa acaba de entrar para o rol de empresas promovendo ondas pesadas de demissão: 227 colaboradores foram dispensados esta semana.

demissões startups
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Foto: Canva / Startups

A informação foi confirmada pelo próprio CEO da martech, João Pedro Resende, em nota no site oficial da companhia. "São profissionais que nos ajudaram muito em nossa jornada, e aos quais somos muito gratos", lamentou o executivo na nota, sem dar mais detalhes sobre quais foram as áreas mais afetadas. Uma lista com quase 90 nomes e contatos de profissionais de diversas áreas está circulando desde ontem.

"Algumas terão suas atividades descontinuadas, outras terão um escopo menor e mais focado nos objetivos que entregam valor de forma mais alinhada com a nova estratégia", pontuou o executivo na nota.

Mas e as explicações para a decisão? Segundo João Pedro, a mudança se deu em função do aumento da volatilidade do mercado. "Os números acabaram oscilando fortemente e em muito pouco tempo", afirmou o CEO.

Na carta, João acabou fazendo um "mea culpa" pelas decisões equivocadas do negócio. "A realidade é que o crescimento que esperávamos no pós-pandemia, e a expansão interna da operação, não aconteceram no mesmo ritmo. Em outras palavras, a eficiência operacional caiu. Eu assumo total responsabilidade por isso", afirmou João no comunicado.

Para amenizar o baque dos cortes, a empresa destacou que está "fazendo o possível para amenizar o impacto" para os funcionários dispensados. Segundo a Hotmart eles deverão receber não apenas seus direitos legais, mas também uma "compensação adicional", que não foi especificada.

Quanto ao futuro da Hotmart, João destacou que a reestruturação colocará a Hotmart em um caminho de maior maturidade operacional e em uma "posição estratégica mais favorável". "O maior foco na execução nos ajudará a entregarmos mais rápido as melhores soluções para nossos clientes crescerem seus negócios e alcançarem seus objetivos", complementou o executivo.

Estratégias de crescimento

Ao conversar com a reportagem do Startups durante o Fire Festival 2022, a Hotmart colocou como um de seus principais motes o plano de evoluir seus serviços junto com o mercado de produção e conteúdo. Para isso, a empresa investiu na expansão de seus serviços, além da ferramenta de distribuição de conteúdo pela qual ela fez o seu nome na última década.

Inclusive, para crescer, a companhia foi às compras. Em 2020 a empresa comprou três empresas: a plataforma americana de e-learning Teachable, a startup de soluções para landing pages Klickpages e a Wollo, de soluções para monetização de infoprodutos. Este ano ela comprou a eNotas, companhia que oferece soluções para emissão automática de notas fiscais eletrônicas.

Além do crescimento inorgânico, a empresa conquistou o mercado, atraindo rodadas generosas. Isso culminou no ano passado, quando levantou uma série C de US$ 130 milhões em uma série C liderada pelo fundo TCV, do Vale do Silício, com a participação da Alkeon.

No final do dia, os layoffs da Hotmart se alinham com outras startups que se perderam no percurso de crescimento estimulado por um mercado empolgado, e que teve seu reality check no desafiador cenário econômico de 2022. A lista de nomes é grande, e vai de proptechs badaladas como Loft e QuintoAndar, a players dos mais variados setores, incluindo outros unicórnios como MadeiraMadeira, Daki e Facily.

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