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'Demos um passo importante para diversificar nossas atividades no Brasil'

Presidente da Engie no Brasil, Maurício Bähr, afirma que empresa pretende trazer tecnologias usadas na Europa e que futuramente pode entrar no mercado de distribuição de gás

6 abr 2019
05h10
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Sócia da consórcio que venceu a disputa pela compra de 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) da Petrobrás, a Engie quer diversificar suas atividades no Brasil. Ao lado do fundo canadense Caisse de Depot e Placement du Quebec (CDPQ), ela vai pagar US$ 8,6 bilhões pela rede de 4,5 mil quilômetros (km) nas Regiões Norte e Nordeste. O presidente da Engie no Brasil, Maurício Bähr, diz que a compra faz parte de uma estratégia do grupo no País.

Maurício Bähr, presidente da Engie, no Brasil
Maurício Bähr, presidente da Engie, no Brasil
Foto: DIVULGAÇÃO / Estadão

O que representa essa compra para o grupo?

Estamos nesse processo desde setembro de 2017. Foi muita energia gasta e muito trabalho, mas valeu a pena porque demos mais um passo importante para diversificar nossa atividade no Brasil. Desde 2016, o País se transformou numa unidade de negócios independente e passou a reportar diretamente à França. A gente vem desenvolvendo uma estratégia ligada ao que queremos ser como empresa global, de melhorar o clima, de melhorar o ambiente e fazer negócio que ajuda os nossos clientes a reduzir a sua pegada de geração de carbono. Com isso, temos focando em algumas linhas de negócios. A primeira delas é a energia renovável, que somos líder no Brasil. Somos o maior gerador privado do País. 80% da nossa energia gerada é renovável. Ainda temos algumas térmicas a carvão, que estão à venda. Mas devemos nos concentrar exclusivamente em energia renovável. Temos a área de solução para clientes, que inclui eficiência energética, mobilidade urbana, monitoramento e energia solar distribuída. A terceira área é a de infraestrutura. Dois anos atrás nós decidimos entrar em linhas de transmissão e ganhamos o primeiro leilão para construir uma linha de 1 mil km no Paraná. Esse projeto está em processo de implementação e licenciamento. Agora, além de transmitir energia elétrica, vamos transmitir gás. Então essa entrada na área de infraestrutura de gás aqui no Brasil faz parte de uma estratégia global em que a gente tem hoje ativo nas áreas concentrados na Europa e a gente quer diversificar para outras geografias. A gente não quer ficar só concentrado nesse tipo de estrutura na Europa. Com essa operação, a gente passa a focar em solução para clientes, em energia renovável e em infraestrutura.

Qual a composição do consórcio que venceu a TAG?

Compramos 90% da TAG e 10% continua com a Petrobrás. Nós vamos ter 58,5% e o CDPQ, 31,5%. Na parte da Engie, vamos dividir entre Engie Brasil Energia e Engie na França. O investimento é tão grande que não conseguiríamos fazer sozinho no Brasil sem ter um sócio da Engie lá fora e sem o CDPQ, que está fazendo o primeiro investimento no Brasil.

Como é a estrutura financeira?

Uma parte é financiada por diversos bancos. O arranjo final vai ocorrer agora. Mas todos os bancos já deram cartas compromisso. A estrutura de alavancagem é 70/30 (70% de financiamento e 30% de capital próprio). O financiamento em dólar deverá ser fechado com 6 ou 8 bancos e o financiamento em reais com três bancos. O total da dívida será em torno de R$ 22 bilhões e o capital próprio, de R$ 11,5 bilhões.

Quando essa estrutura deve ser fechada?

A gente tem de aguardar as aprovações e a liquidação está estimada para até final de maio. Temos carta compromisso com os bancos. Esse financiamento é 100% baseado nos próprios recebíveis do projeto, sem garantias corporativas.

Qual o faturamento do gasoduto?

Em 2017, a receita líquida foi de R$ 4,6 bilhões.

A Petrobrás tem exclusividade no uso do gasoduto?

A Petrobrás tem um contrato e vai usar durante muitos anos. Nós compramos e vamos ser donos da infraestrutura, do gasoduto, e a Petrobrás será a usuária. Há diversos contratos que vão se estender nos próximos 5 a 12 anos. É um portfólio de contrato. Quando vencer, vamos negociar novos contratos com ela ou com novos entrantes no gás brasileiro.

Vocês já planejam expansão do gasoduto?

Acho que a medida que vamos assumir a empresa, vamos pensar no futuro. O objetivo é sempre comprar alguma coisa e crescer. Quando compramos a Gerasul ela tinha 3,3 mil MW e agora tem 10 mil MW. É natural usar essa plataforma para expandir e fomentar cada vez mais o mercado de gás.

E tem demanda reprimida no setor?

Tenho certeza que sim. O gás é um combustível mais limpo. Vai permitir gerar energia com mais eficiência.

Vocês já fazem transporte de gás no exterior. Pretendem trazer novas tecnologias para o Brasil?

Vamos trazer as melhores práticas e incorporaro know how lá de fora no Brasil. Mas o capital humano será brasileiro, como sempre ocorreu em nossas operações. Hoje temos 32 mil km de gasoduto de transporte e 200 mil de gasoduto de distribuição de gás no mundo.

A compra da TAG pode ser o primeiro passo para a empresa entrar no mercado de distribuição de gás?

Temos interesse em ativos de distribuição, mas isso é algo para olhar mais para frente.

Estadão
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