Demissão de Lupi é a 11.ª troca de ministro do governo Lula
Ministro da Previdência Social pediu para deixar o governo petista após escândalo de descontos indevidos no INSS
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na tarde desta sexta-feira, 2. A saída do pedetista significa que o presidente terá que fazer a 11.ª troca na Esplanada dos Ministérios desde o início da gestão, em 2023.
Lupi estava pressionado pelo escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O esquema ganhou relevância após a Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) na semana passada.
Pesquisa AtlasIntel divulgada na quinta-feira, 1.º, mostrou que 85,3% dos brasileiros consideram que o ministro deveria ser demitido na esteira da crise no INSS.
O então ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI) general Marco Edson Gonçalves Dias foi o primeiro da equipe do governo Lula a cair. A saída dele se deu após a imprensa divulgar uma gravação em vídeo que mostrou ele em uma postura passiva diante da invasão do Palácio do Planalto durante os Atos Golpistas do 8 de Janeiro.
Com o estouro da crise, membros do governo aconselharam o então ministro a pedir demissão, o que foi feito por ele. A solicitação foi prontamente aceita por Lula.
O GSI passou então a ser chefiado interinamente por Ricardo Cappelli . Desde maio de 2023, o chefe da pasta é o general Marcos Amaro dos Santos.
Julho de 2023 - Daniela Carneiro deixa Ministério do Turismo
Lula fez trocas em março no Ministério da Saúde e na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Na primeira pasta, a socióloga Nísia Trindade foi demitida em meio a um fogo amigo no Executivo com críticas sobre o trabalho dela, e substituída por Alexandre Padilha, que comandava a SRI desde o início do governo.
Padilha também era alvo de críticas, principalmente de lideranças da Câmara dos Deputados. O ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL) chegou a chamá-lo de "desafeto pessoal" e "incompetente" em uma coletiva de imprensa. Além da transferência de ministério, a solução encontrada por Lula foi nomear a deputada federal e então presidente do PT Gleisi Hoffmann para a SRI.
A indicação de Gleisi foi bem vista pelos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), mas foi duramente criticada por líderes da oposição ao governo Lula. Para eles, a ida dela para a articulação indicaria uma "radicalização" devido à postura combativa da ministra.
Abril de 2025 - Juscelino Filho pede demissão após denúncia da PGR e presidente da Telebras assume Ministério das Comunicações
O então ministro das Comunicações pediu demissão após ser denunciado pela PGR sob a acusação de desvio de emendas parlamentares. Relatório da Polícia Federal apontou que Juscelino Filho cometeu os crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O caso ainda não foi julgado pelo STF. À época, a defesa do ex-ministro disse que ele é inocente.
O caso foi revelado pelo Estadão em 2023. Em uma série de reportagens, o jornal mostrou que Juscelino destinou emendas do Orçamento da União à cidade de Vitorino Freire (MA) para asfaltar uma estrada que passava pela fazenda da sua família. À época, o município era administrado por Luanna Rezende, irmã do titular das Comunicações. Ela chegou a ser afastada da prefeitura no curso das investigações.
A substituição de Juscelino Filho foi conturbada. Inicialmente, ficou acertado que o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União-MA) assumiria o posto. Porém, o parlamentar mudou de ideia após uma reunião com o com o presidente do partido, Antônio Rueda, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Pesou o fato de que a saída de Fernandes da liderança no partido na Câmara provocasse um guerra pela sua sucessão, rachando a bancada do União Brasil na Casa.
Lula acabou nomeando Frederico de Siqueira Filho para comandar a pasta das Comunicações. Então presidente da Telebra, ele teve o nome chancelado por Alcolumbre, Pedro Lucas e o próprio Juscelino Filho.