Como atuava quadrilha presa na Operação Haras do Crime por furtar petróleo da Transpetro
Segundo a Polícia Civil, grupo perfurava clandestinamente oleodutos e comercializava material furtado com o uso de notas fiscais falsas; operação ocorre em seis Estados. Transpetro diz que 'é vítima do crime de furto' e adota parceria com órgãos de segurança
Sete pessoas foram presas na operação Haras do Crime, que o governo do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil realizam nesta quinta-feira, 22, contra uma quadrilha especializada no furto de petróleo por meio da perfuração clandestina de oleodutos da Transpetro. Os nomes dos presos não foram divulgados, por isso não foi possível localizar as defesas.
"O objetivo da operação é cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra os investigados, além de interromper de forma imediata as atividades ilegais. As investigações apontam que a quadrilha atua com estrutura organizada, possuindo hierarquia operacional, articulação fora do Estado e divisão clara de tarefas entre os integrantes", informou o governo estadual.
A ação acontece simultaneamente nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.
Em nota, a Transpetro diz que "é vítima do crime de furto de petróleo e derivados em dutos e tem como maior preocupação a preservação da vida e a segurança das pessoas e do meio ambiente".
A empresa afirma que utiliza tecnologia para localizar desvios clandestinos da rede e que mantém "parcerias com órgãos de segurança pública, Ministérios Públicos e órgãos reguladores, atuando no apoio a investigações e operações, na sensibilização de autoridades sobre a gravidade do crime e suas consequências, e na participação como assistente de acusação em processos penais envolvendo esse tipo de delito".
"No Rio de Janeiro, essa estratégia tem resultado numa redução nos números de derivações clandestinas. Em 2020, foram registradas 13 derivações clandestinas no estado, número que caiu para uma ocorrência em 2025. O resultado evidencia a eficácia das ações integradas com as autoridades de segurança pública para coibir o furto de combustíveis em dutos e das ações preventivas adotadas pela Transpetro", diz a empresa.
Como a quadrilha atuava?
Segundo a Polícia Civil, a quadrilha atuava por meio de um ciclo criminoso integrado, que se iniciava com a perfuração do duto, realizada sob proteção armada. O petróleo extraído era transportado em caminhões-tanque por rotas interestaduais, caracterizando o transporte clandestino. O produto era então comercializado com o uso de notas fiscais falsas, emitidas por empresas de fachada.
A polícia afirma que há comprovação de intimidação de testemunhas, destruição de provas eletrônicas e ocultação de equipamentos que eram usados na prática ilegal.
Onde ocorreu o furto?
As investigações apontam que o material foi extraído em uma fazenda localizada em Guapimirim, na Baixada Fluminense, onde passa um trecho do oleoduto. O local pertence a uma família de contraventores, o que, segundo os investigadores, evidencia a dificuldade de fiscalização na região.
Segundo a Polícia Civil, os investigados também respondem como réus em outros processos.