Curva de juros no Brasil apaga aposta de corte de 0,50 pp da Selic e passa a precificar chance minoritária de manutenção
Com o forte avanço das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) nesta sexta-feira, a curva a termo brasileira apagou de sua precificação as apostas de corte da Selic em 0,50 ponto percentual e passou a refletir chance, ainda que minoritária, de o Banco Central manter a taxa básica em 15% na próxima semana.
Três profissionais do mercado ouvidos pela Reuters chamaram a atenção para esta mudança de precificação na curva brasileira, na esteira das preocupações com o impacto inflacionário da disparada do dólar e com o acirramento da guerra no Oriente Médio.
Nesta tarde, a curva precificava 65% de chance de o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortar a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima semana, contra 35% de probabilidade de manutenção da taxa básica, conforme a analista Laís Costa, da Empiricus Research.
Na véspera, a precificação era diversa, com chances majoritárias para corte de 0,25 ponto percentual e minoritárias para corte de 0,50 ponto percentual.
"Entre ontem e hoje houve uma migração da probabilidade de 0,50 (ponto percentual de corte na Selic) para a manutenção", comentou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.
Um operador de renda fixa ouvido pela Reuters pontuou que, durante a tarde, ganhou força nas mesas a especulação de que, de fato, o Copom manterá a Selic em 15% em função do cenário externo conturbado.
O Copom anunciará sua decisão sobre os juros na quarta-feira, ao fim de sua reunião de dois dias. No encontro anterior, no final de janeiro -- um mês antes de os ataques dos EUA e Israel ao Irã darem início ao conflito no Oriente Médio --, o colegiado manteve a Selic em 15% e indicou que iniciaria um ciclo de corte de juros em março.