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Dólar supera R$5,30 com piora de percepção sobre a guerra, em dia de leilões do BC

13 mar 2026 - 17h09
(atualizado às 17h51)
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O dólar fechou a sexta-feira em ‌forte alta no Brasil e acima dos R$5,30, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, após uma piora generalizada dos ativos de risco ao redor do mundo em função do conflito no Oriente Médio.

Com o barril do petróleo tipo Brent novamente acima dos US$100 em Londres, o dólar à vista fechou a sessão com alta de ⁠1,34% no Brasil, aos R$5,3166, em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de ‌países emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.

Na semana, a divisa acumulou alta de 1,43% ante o real e, no ano, passou a registrar queda de ‌3,14%.

Às 17h36, o dólar futuro para abril -- o mais ‌líquido no mercado brasileiro -- subia 1,16% na B3, aos R$5,3430.

O dólar passou a acelerar os ⁠ganhos a partir do fim da manhã, depois que o preço do petróleo saltou para o território positivo e a percepção mais geral sobre a guerra no Oriente Médio piorou, com EUA e Israel prosseguindo com os confrontos contra o Irã.

Após registrar a cotação mínima de R$5,2153 (-0,59%) às 10h55, o dólar à vista escalou até a máxima de R$5,3256 (+1,51%) às 16h46, já perto do ‌encerramento da sessão.

"O pessoal (mercado) está buscando se proteger, saindo de alguns ativos, em função do conflito, ‌do petróleo", resumiu durante a tarde ⁠João Oliveira, head da ⁠mesa de operações do Banco Moneycorp. "E se este petróleo continuar a subir, para US$120 ou US$150, isso vai ⁠assustar todos os mercados, e o nosso mercado vai ‌junto em função do nervosismo ‌com o cenário", alertou.

Pela manhã, buscando reduzir parte da pressão vista em dias anteriores no mercado cambial brasileiro, o Banco Central realizou o chamado "casadão" -- leilões simultâneos de venda de dólares no mercado à vista e de negociação de contratos de swap cambial reverso.

O BC vendeu, ⁠em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

Ao fazer o "casadão", o BC elevou a liquidez no mercado à vista em um momento de estresse, em que ‌o dólar tem sido pressionado pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Porém, o efeito das operações sobre as cotações do dólar é, na prática, nulo, já que o BC vendeu ⁠US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

Segundo o gestor de renda fixa da Inter Asset, Ian Lima, as operações do BC melhoram o funcionamento do mercado de câmbio como um todo.

"Quando o BC faz o 'casadão', (o resultado) é menos swap (tradicional) para rolar, porque o mercado não está demandando mais swap neste momento. Isso melhora o balanço do BC", pontuou Lima, lembrando que a instituição segue com uma posição vendida em swaps em seu balanço, que é rolada mês a mês.

"E quando entrega dólar, ele melhora a posição vendida (à vista em dólar) dos bancos", acrescentou.

Em sua operação regular de rolagem, o BC vendeu no fim da manhã desta sexta-feira 50.000 contratos (US$2,5 bilhões) de swap cambial tradicional visando o vencimento de 1º de abril.

No exterior, às 17h36 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,87%, a 100,530.

(Edição de Isabel Versiani)

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