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Corrupção e falta de políticas públicas são as principais causas da desigualdade no Brasil

Essa é a percepção dos brasileiros, segundo levantamento da Fundação Itaú; educação pública é vista como principal caminho para reduzir disparidades

9 set 2025 - 09h42
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A maioria da população, cerca de 77%, considera o Brasil "muito desigual". A avaliação é mais forte entre mulheres, pessoas mais velhas e com menor escolaridade. É o que mostra pesquisa divulgada nesta terça-feira, 9, pela Fundação Itaú. As causa mais citadas pelos entrevistados são as políticas públicas e a má gestão governamental.

Para 76% dos respondentes, a impunidade diante da corrupção aumenta as disparidades. Outros 70% avaliam que as leis de funcionamento da economia beneficia os mais ricos. Sobre este ponto, Alan Valadares, coordenador do Observatório Fundação Itaú, afirma que isso "evidencia uma insatisfação geral com a forma como o País está estruturado e a percepção de que diferentes grupos são impactados de maneira desigual", avalia.

A 1ª edição da pesquisa "Percepções sobre as Desigualdades no Brasil", realizada pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com a Plano CDE e Datafolha, ouviu 2.787 pessoas de todas as regiões do País entre agosto e setembro de 2024, e em junho de 2025. O estudo buscou compreender como os brasileiros — a partir de recortes de gênero, raça e classe social — percebem as desigualdades no País, as origens e os impactos na vida. Além de identificar quais caminhos enxergam como prioritários para reduzir essas disparidades.

O estudo também revelou contradições entre a percepção das pessoas entrevistadas e a realidade. Alan Valadares indicou que, quando perguntadas espontaneamente, poucas pessoas citaram fatores históricos como causas da desigualdade.

"Por exemplo, a influência da escravidão nas oportunidades das pessoas negras foi reconhecida por menos da metade da população, embora a maioria concorde que pessoas brancas têm mais acesso à educação de qualidade e trabalho digno", afirma.

Os dados também dialogam com o sentimento mais amplo de descrença política: apenas 20% dos brasileiros afirmam se sentir representados pelos atuais governantes. Para metade dos entrevistados, a baixa representatividade resulta em políticas públicas que não priorizam os mais pobres.

Valadares avalia que a predominância de que a corrupção e a má gestão pública alimentam a desigualdade ganha mais força quando se observa o impacto do trabalho precoce na vida dos brasileiros.

Nas classes mais altas o trabalho precoce pode representar experiência sem necessariamente comprometer os estudos. Já para os grupos mais pobres, a realidade é outra.

Trabalho precoce compromete escolaridade dos mais pobres

Segundo a pesquisa, a entrada precoce no mercado de trabalho faz parte da vida da maioria dos entrevistados. Pelo menos 6 em cada 10 respondentes começaram a trabalhar antes dos 18 anos. Um terço iniciou essa trajetória por volta dos 14. O movimento, porém, gera efeitos diferentes conforme a classe social.

Entre os mais pobres, principalmente classe D/E, a necessidade de contribuir com a renda familiar leva quase metade, 49%, a começar a trabalhar cedo.

Outros 51% relatam que isso prejudicou a continuidade dos estudos. Já entre os mais ricos, o trabalho precoce aparece mais associado ao desejo de conquistar autonomia e consumo.

Apesar de 62% acreditarem que começar a trabalhar cedo ajudou na vida profissional, a pesquisa sugere que a noção de prejuízo nos estudos é maior entre os mais pobres.

Educação de qualidade é apontada como solução

No que diz respeito as soluções, 79% dos brasileiros defendem que investir na educação pública é primordial para reduzir desigualdades. Os entrevistados também citam investimento no setor da saúde e nas políticas de emprego e renda.

Aproximadamente 30% dos respondentes citam a educação como prioridade para um Brasil mais justo, seguida do combate à corrupção, 23%, e da inclusão produtiva, 21%.

Segundo Valadares, é um sinal positivo de que a população entende a educação como importante para mobilidade social e garantia de vida mais digna. "Confirma a relevância de investir em educação, acesso à cultura e saúde, e traz a oportunidade de refletir sobre narrativas e contradições presentes na sociedade", diz.

Apesar das dificuldades apontadas, 80% dos entrevistados acreditam ter uma vida melhor que a da geração anterior. Além disso, 84% avaliam que tiveram acesso a uma educação superior à dos pais.

A melhora, porém, não elimina as barreiras estruturais, com 52% afirmando que há mais obstáculos para que pessoas pobres consigam ascender socialmente, outros 37% acreditam que a pobreza tende a se repetir entre gerações devido à falta de oportunidades. "Precisamos de ações para o futuro para reduzir as desigualdades do País", defende Valadares.

Estadão
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