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Correios: Funcionários tentam reverter privatização no Senado e falam em greve contra venda

Ainda há uma expectativa com a ação no STF que tenta barrar a privatização dos serviços postais, e já tem manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República

5 ago 2021 21h05
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BRASÍLIA - Frustrados com a aprovação pela Câmara dos Deputados do projeto que abre caminho para a venda dos Correios, os funcionários da estatal agora vão focar suas energias em conversas com senadores, para tentar reverter o processo na Casa. Ainda há uma expectativa com a ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que tenta barrar a privatização dos serviços postais, e já tem manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Além disso, trabalhadores não descartam promover uma greve para pressionar contra o trâmite de venda da estatal, que emprega mais de 90 mil funcionários.

Presidente da Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), José Aparecido Gandara, afirmou ao Estadão/Broadcast que nenhuma possibilidade pode ser descartada nesse momento. "Temos 100 mil trabalhadores, cada família tem em torno de quatro pessoas, então são 400 mil pessoas que vão ficar numa situação difícil, num momento que mais precisamos de empregos. É uma angústia muito grande dessas famílias, muito grave essa situação", disse ele, com receio das demissões. Já no governo a avaliação é de que, diferente dessa percepção, os investimentos esperados com a privatização dos Correios poderão até gerar novas contratações.

Gandara ressaltou que, primeiramente, os movimentos buscarão um diálogo com o Senado, mas ponderou que é preciso haver pressão popular contra a iniciativa do governo. "Então a gente vai ter que reagir, governos passam e a empresa fica", disse ele.

As entidades ligadas aos trabalhadores alegam que a venda dos Correios vai gerar demissões, além de prejudicar o atendimento universal dos serviços postais. Elas afirmam que nenhuma empresa privada vai se dispor a manter a cobertura da forma como é feita hoje pela estatal, que hoje conta com benefícios tributários. Já o Executivo afirma que a universalização será mantida, e inclusive poderá crescer a partir da privatização.

Outra colocação dos movimentos de trabalhadores é de que os preços das tarifas irão aumentar. "Muito, vai aumentar muito. Você imagina que hoje os Correios tem imunidade tributária. E não faz sentido dar imunidade tributária para empresa privada. Só isso vai significar aumento imediato de pelo menos 10% na tarifa", disse ao Estadão/Broadcast o vice-presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (Adcap), Marcos César Alves Silva.

Silva também reforçou que a estratégia agora será de diálogo com os senadores, que serão responsáveis por analisar a proposta aprovada pela Câmara. "A associação tem uma atuação técnica, não temos viés ideológico. No Senado esperamos encontrar um ambiente mais técnico", disse ele.

O vice-presidente da Adcap afirmou ainda que a expectativa da entidade é muito positiva com o resultado da ação que questiona a privatização no STF. "A argumentação é muito simples, clara. A Constituição traz a manutenção do serviço postal como obrigação da União. O projeto é completamente inconstitucional, ele não poderia nem chegar a votação", afirmou.

Entre as críticas ao texto aprovado pelos deputados está a previsão de que o Executivo será o órgão competente para instituir a política postal brasileira. Para Silva, a Câmara não poderia ter votado a favor desse comando, uma vez que, segundo ele, esse tipo de prerrogativa é tipicamente do Legislativo. "A leitura que a gente faz é que temos um Congresso que vota bovinamente, sem a menor preocupação de discutir os temas", afirmou.

Estadão
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