Comitiva brasileira não deve se reunir com governo dos EUA para discutir tarifas, diz senador
Objetivo de missão em Washington é 'distensionar' relações entre Brasil e Estados Unidos, afirma Nelsinho Trad, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado
WASHINGTON - O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, afirmou que o objetivo da missão brasileira em Washington é distensionar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Não há prerrogativa de negociar as tarifas de 50% ao Brasil, conforme ele.
Segundo o senador, há uma reunião agendada para esta terça-feira, 29, com ao menos seis parlamentares dos partidos Republicano e Democrata. No entanto, a comitiva brasileira não deve se encontrar com funcionários do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou.
"Nossa missão tem um intuito principal que é distensionar essa relação entre o Brasil e os Estados Unidos com a nossa contraparte parlamentar. A partir do momento que a gente conquistar isso, eu penso que a missão já vai ter o seu primeiro ponto no sentido de proporcionar ambiente e caminho para que quem tem a prerrogativa de negociar que não somos nós e sim o governo federal possa sim fazê-lo", disse Nelsinho Trad, que preside a missão, ao falar a jornalistas, na saída da residência oficial do Brasil em Washington.
Segundo ele, outros parlamentares americanos demonstraram interesse na reunião de terça-feira. O senador disse que a informação sobre o encontro está sendo preservada para que "não haja nenhuma interferência no sentido de inibir ou cancelar qualquer agenda previamente marcada".
Questionado sobre se a cautela é para não ter interferência do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Nelsinho Trad respondeu: "Não, eu não vou entrar nisso", afirmou.
Oito senadores integram a comitiva do Brasil a Washington. Além de Nelsinho Trad, estão Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado; Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura; Marcos Pontes (PL-SP), ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações; Rogério Carvalho (PT-SE), líder do PT no Senado; Carlos Viana (Podemos-MG); Fernando Farias (MDB-AL); e Esperidião Amin (PP-SC).
Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, afirmou que a expectativa para a missão é "positiva, apesar da dificuldade". Ele descartou a hipótese de mudança no prazo para a entrada em vigor da alíquota, na próxima sexta-feira, dia 1º.