CEO da XP: Nossos clientes não perderam dinheiro com o Master, podem até ter ganhado
Segundo Thiago Maffra, praticamente todos os clientes tinham cobertura do FGC; ele afirmou também que a corretora não recomenda títulos de bancos abaixo de um certo patamar de risco
O CEO da XP, Thiago Maffra, disse que os clientes investidores da plataforma XP não perderam dinheiro ao adquirirem Certificados de Depósito Bancário (CDB) do Banco Master, já que praticamente todos estavam cobertos pelos Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
"99,9% dos nossos clientes estão sob proteção do FGC e não perderam dinheiro, ao contrário, podem ter obtido retorno com esse investimento", disse, durante teleconferência de resultado da companhia nesta quinta-feira, 12. Maffra disse ainda que a XP não fez recomendação de investimento no Master por conta da cobertura do FGC, assim como de outros bancos, e que eles tampouco recomendam títulos de bancos abaixo de um certo patamar de risco.
Maffra lembrou que a XP tem papéis de bancos médios, assim como outras plataformas, os quais não são ofertados pelos grandes bancos, mas que a XP só distribui produtos que acredita serem bons aos seus clientes.
Ele também se posicionou em relação às discussões que estão em andamento entre reguladores e representantes do mercado envolvendo mudanças nas regras atuais envolvendo o ambiente de investimento financeiro e bancário. "Gostaria de expressar profunda preocupação com tudo o que foi revelado nos meses recentes envolvendo o Banco Master e a extensão das irregularidades identificadas", disse.
O executivo afirmou que a XP, por meio da associações ABBC e Febraban, está ativamente apoiando as melhoras estruturais que visam a prevenir que situações como essa se repitam. "O Banco Central tem avançado na direção correta nos últimos anos, portanto entendemos que alguns ajustes relevantes são ainda necessários. Esta mudança deve ser implementada com responsabilidade para que o Brasil não fique sob o risco de reverter os progressos significantes atingidos nas últimas décadas em termos de competição e um acesso maior e mais eficiente a produtos e serviços financeiros", afirmou.
Maffra disse ainda que é preciso ter cuidado para que não sejam adotadas medidas que tragam consequências não intencionais que restabeleçam o excesso de concentração bancária ou permitam que sejam construídos modelos baseados na baixa informação dos clientes.
O CEO da XP acrescentou que a partir das iniciativas do Banco Central, os bancos digitais e as plataformas de investimento tiveram um papel central na transformação do mercado de investimento.
Resultado
A XP anunciou uma alta de 10% em 12 meses de seu lucro líquido ajustado no quarto trimestre de 2025, para R$ 1,33 bilhão. Em relação ao terceiro trimestre, o resultado ficou estável.
A receita bruta atingiu R$ 5,239 bilhões no mesmo período, representando um aumento de 12% em relação ao quarto trimestre de 2024 e de 7% frente ao terceiro trimestre. De acordo com a XP, o avanço da receita bruta reflete maior diversificação no varejo e aceleração do banco de atacado.
No consolidado do ano, a XP registrou receita bruta de R$ 19,5 bilhões, avanço de 8% em relação a 2024. Já o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,2 bilhões, crescimento de 15% na comparação anual.