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BRB vê necessidade de concluir capitalização até 31 de agosto para preservar banco; leia bastidor

Governo do DF tenta obter empréstimo de R$ 6,6 bi para capitalizar o banco junto ao FGC; procurado, BRB não se manifestou

23 jul 2026 - 17h09
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BRASÍLIA - O Banco de Brasília (BRB) avalia que a sua capitalização precisa ser concluída até, no máximo, dia 31 de agosto para manter o funcionamento da instituição na plena normalidade e mitigar riscos no cenário, apurou o Estadão/Broadcast.

O governo do Distrito Federal tenta obter um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para capitalizar o banco junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Mas os bancos que ofertariam uma fiança para a operação estão reticentes, e o negócio continua travado.

Procurado, o banco distrital não se manifestou.

O BRB tem R$ 21,9 bilhões em ativos do Banco Master, mas há dúvidas sobre o seu valor real, diante das fraudes cometidas pelo banco de Daniel Vorcaro, liquidado pelo BC em novembro de 2025. Ao todo, R$ 8,8 bilhões já foram provisionados para fazer frente às perdas com esses ativos.

Hoje, o banco administra um colchão de liquidez que é considerado adequado - mas não confortável - para honrar compromissos diariamente. Esse é o indicador de solvência mais importante de curto prazo e que vem sendo acompanhado de perto pelo Banco Central. Conforme mostrou o Estadão/Broadcast, a instituição tem feito análises diárias no banco distrital.

Enquanto tiver liquidez, o BRB está livre de ser liquidado. Mas a instituição tem consciência de que o seu caixa está "sangrando" e que seria arriscado deixar uma solução para os problemas para depois das eleições, apurou a reportagem. No mercado e em alas do governo, há a percepção de que existe uma tentativa de empurrar o problema para depois de outubro.

O prazo do dia 31 para fechar a capitalização é considerado técnico, mas também conta com uma dose de avaliação política. Ao contrário do que alguns observadores apontam, seria pior para o BRB arrastar sua frágil situação para depois das eleições.

Na prática, a indicação é a de que a instituição - ainda que não esteja "nadando em liquidez" - tem um colchão para se sustentar por mais um mês. Depois disso, a situação negativa tende a escalonar. Há quem diga que o banco até conseguiria "se segurar" até outubro, mas o melhor seria não optar por uma saída mais arriscada.

O acordo com os bancos de primeira linha é visto como a saída para que o BRB possa continuar operando. Sem esse aporte, o desequilíbrio financeiro é tido como certo. Para o banco do DF, a fragilidade da instituição está ligada a uma questão de capital, e não necessariamente à liquidez.

Morte lenta

Uma crise de liquidez representaria uma "morte súbita" para o BRB, à medida que praticamente obrigaria o BC - que acompanha diariamente todas as informações financeiras do banco - a liquidar a instituição. Mas a falta de capital levaria a uma morte lenta da instituição, por deixá-la desenquadrada das regras prudenciais.

Como o patrimônio líquido do BRB era próximo de R$ 4 bilhões antes da crise do Master, as provisões de R$ 8,80 bilhões já deixam a instituição no negativo. Por isso, o banco não divulga balanço há mais de um ano, enquanto busca uma solução para o problema. O prazo até o fim do mês que vem enquadraria o aporte e a divulgação do balanço atrasado.

Além dos R$ 6,6 bilhões do empréstimo, o BRB conta com mais duas fontes de recursos para aumentar seu capital: R$ 2,2 bilhões vindos da securitização da dívida do DF - dos quais R$ 1,1 bilhão já foram aportados, e o restante está a caminho - e mais R$ 5 bilhões por meio da venda de imóveis e terrenos do governo do DF. Essa "carta na manga" é um cardápio com sete terrenos em Brasília e que, conforme interlocutores, contam com potenciais investidores, até mesmo internacionais.

Estadão
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