Ibovespa fecha em queda com aversão a risco no exterior
O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda, refletindo o clima de aversão a risco nos mercados globais após nova intensificação do conflito no Oriente Médio, que fez o petróleo voltar a operar acima dos US$100.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,46%, a 176.723,62 pontos. Na mínima, atingiu 176.293,25 pontos. Na máxima do dia, chegou a 177.895,77 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$21,04 bilhões.
Em mais um dia de escalada das tensões no Oriente Médio, os houthis do Iêmen - que são aliados do Irã - afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, causando novas interrupções no abastecimento global após a interrupção quase total do tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Após a declaração, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma "forte retaliação militar" contra o Irã e seus aliados houthis.
Diante da perspectiva de que a interrupção possa se alastrar a um segundo mar, os preços globais do petróleo dispararam, com os contratos futuros do Brent fechando com alta de 7%, a US$100,69 o barril, marcando seu maior fechamento desde 22 de maio.
A disparada do petróleo trouxe novas preocupações sobre os rumos da inflação, gerando um clima de aversão ao risco que afetou as principais bolsas globais. O clima negativo pressionou o Ibovespa, embora o avanço do petróleo tenha impulsionado ações como a da Petrobras, o que evitou perdas maiores para o índice.
"O mercado tem dado mais peso ao temor inflacionário da guerra do que ao efeito positivo do petróleo sobre os termos de troca do Brasil", disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Em Nova York, o S&P 500 recuou 1,2%. Além dos temores de aumento da inflação, os resultados financeiros abaixo do esperado do setor de jogaram também contaminaram pressionaram negativamente os negócios na sessão.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN subiu 0,87% e PETROBRAS ON avançou 1,67%, acompanhando a alta do petróleo no exterior.
• VALE ON ganhou 0,77%, ficando entre as maiores altas do Ibovespa. O ganho acompanhou o desempenho do ferro no exterior. O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE), na China, encerrou o pregão diurno com alta de 0,74%, US$110,43 por tonelada.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,79%, em uma sessão negativa para os bancos. BRADESCO PN recuou 1,32%, SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,19%, enquanto BANCO DO BRASIL ON recuou 0,76%.
• AZZAS 2154 ON recuou 4,27%, sendo uma das maiores quedas do Ibovespa, em uma sessão negativa para papéis mais sensíveis aos juros elevados. Analistas do Citi disseram em relatório que esperam que o segundo trimestre de 2026 seja "mais um trimestre fraco" para a companhia, "com queda na receita em relação ao mesmo período do ano anterior e desalavancagem operacional".
• ASSAÍ ON caiu 4,52%, em dia de avanço dos juros futuros.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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