Dólar interrompe série de perdas e sobe ante real com conflito entre Irã e EUA
O dólar interrompeu uma sequência de três sessões de perdas e fechou a quinta-feira em alta ante o real, em meio ao acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,63%, aos R$5,0842. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,37% ante o real.
Às 17h03, o dólar futuro para agosto -- atualmente o mais negociado no mercado brasileiro -- subia 0,49% na B3, aos R$5,0950.
Os EUA lançaram uma nova rodada de ações militares contra o Irã na noite de quarta-feira, a 12ª consecutiva onda de ataques norte-americanos ao país do Oriente Médio.
Já a Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro pegou fogo após explosão ao tentar atravessar uma rota minada ao sul do Estreito de Ormuz. Outros dois petroleiros retornaram. Conforme o Irã, o Estreito, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás, está "completamente fechado".
Após os houthis, aliados do Irã no Iêmen, atacarem dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho -- outro ponto-chave para o transporte na região --, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu nesta quinta-feira uma "forte retaliação militar".
Com isso, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril, intensificando as preocupações com os impactos inflacionários da guerra nos países, o que também impulsionava os rendimentos dos Treasuries.
Esse cenário se traduziu na elevação do dólar ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas fortes como a libra e o euro -- neste caso, influenciado ainda pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter seus juros inalterados.
Às 17h05, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,31%, a 101,420.
O dólar também subiu ante divisas emergentes como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o real.
No caso do Brasil, ainda que o avanço do petróleo seja favorável ao real, já que o país é exportador da commodity, a busca pela segurança da moeda norte-americana predominou no mercado.
Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,0694 (+0,33%) às 9h02, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0941 (+0,82%) às 15h15.
"O movimento foi predominantemente externo, com o real acompanhando o enfraquecimento generalizado das moedas frente ao dólar diante de um cenário de aversão a risco", resumiu Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.
(Edição de Isabel Versiani)
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