'Brasil vai responder aos EUA à altura; e, se necessário, usar reciprocidade', diz Fávaro
Ministro da Agricultura define tarifaço de Trump como medida irracional e afirma crer que, antes de a lei precisar ser acionada, seja encontrada uma saída diplomática
BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, defendeu a aplicação da lei da reciprocidade econômica em reação à tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos, se for necessário. A manifestação se alinha ao que vem pregando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O Brasil tem se mostrado firme pela soberania nacional. Os motivos que levaram Trump a decretar o aumento de tarifas é de infelicidade, o que feriu a soberania brasileira. Vamos responder à altura, inclusive, se necessário, usaremos a lei da reciprocidade, aprovada em unanimidade pelo Congresso Nacional", disse Fávaro, em entrevista à TV Centro América. Ele participou de entregas de máquinas e equipamentos agrícolas em Sorriso (MT).
Apesar da defesa da reciprocidade, Fávaro afirmou crer que, antes de a lei precisar ser acionada, seja encontrada uma saída diplomática. "Quero crer que a nossa diplomacia vai trabalhar para minimizar e solucionar esse problema antes que o presidente Lula tenha de usar a reciprocidade, o que inviabiliza ainda mais a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos", afirmou o ministro.
Ele defendeu ainda que o Brasil mostre "equiparação de forças" e soberania. "Se você me taxa em 50%, te taxo em 50%. Os 50% já inviabilizam a exportação entre os dois países. (Taxar os EUA em) 50% não resolve o problema, mas mostra força da reciprocidade e respeito com o mesmo tratamento", apontou. "Com os 50% (recíprocos), a venda deles para o Brasil também vai ficar inviabilizada. Eles vão parar de vender superprocessados, turboélices e, aí, o comércio vai ficar inviabilizado. É um perde-perde sem precedentes", argumentou.
Fávaro classificou o tarifaço de Trump como "medida irracional". "Chega beirar à irresponsabilidade, o que faz mal para uma diplomacia amistosa e eficiente de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos. É irracional porque 50% de tarifa não têm margem comercial para isso. Se isso de fato vigorar, acaba com a relação comercial entre Brasil e EUA nesse período", observou o ministro.
Na avaliação de Fávaro, a adoção das tarifas não será ruim apenas para o Brasil, já que os Estados Unidos dependem de alguns produtos agropecuários brasileiros.
"Do que os EUA consomem, 70% do suco de laranja vêm do Brasil, o que fará o povo norte-americano pagar 50% mais em suco de laranja. Os EUA são o maior consumidor de café do mundo e o Brasil um importante fornecedor, também ficando 50% mais caro", afirmou.
Sobre a carne bovina, Fávaro afirmou que a exportação brasileira para produção norte-americana de hambúrgueres e almôndegas ficará inviabilizada com tarifa adicional de 50%. "Íamos beirar 400 mil toneladas até o fim deste ano e bater o recorde absoluto", pontuou.
Ele criticou ainda a atuação de Trump. "Ele ganhou a eleição para ser presidente dos EUA, e não delegado do mundo. Temos de ter altivez na posição, exigir respeito e buscar diplomacia", concluiu.