Brasil registra 71 mil novos postos de trabalho ocupados por estrangeiros em 2024
Número é recorde desde que o Caged mudou metodologia, segundo estudo da Fecomercio-SP
Um estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) indica que o Brasil abriu e preencheu cerca de 71 mil vagas de trabalho para estrangeiros no ano passado, um aumento de 50% em relação a 2023, quando pouco mais de 47,3 mil vagas foram atendidas por estrangeiros. A maioria dos postos abertos em 2024 foi ocupada por latino-americanos, especialmente venezuelanos e haitianos.
Os dados foram tabulados a partir dos números mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O saldo de 2024 é o maior volume para um único ano desde que o Caged mudou sua metodologia, em 2020, segundo a análise da federação.
Os autores do estudo indicam que esse resultado reflete o momento do mercado de trabalho do Brasil, com uma taxa de desemprego de apenas 6,6%. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicam que o resultado para o mercado de trabalho foi o melhor desde o início da série histórica, em 2012.
"O ótimo momento do mercado de trabalho do Brasil (uma taxa de desemprego recorde de apenas 6,6%, de acordo com o IBGE) reflete em vários aspectos, como aumento da massa de salários e da média de renda da população e, agora, também é possível ver como ele tem impacto sobre países da região", segundo a nota emitida pelo Fecomercio-SP.
Segundo a análise, os setores que mais absorveram mão de obra estrangeira foram a indústria e de transformação e o comércio, com ênfase na reparação e venda de veículos. Veja abaixo.
Os dados mais recentes da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), referentes a 2023, indicam que mais de dois terços das mão de obra estrangeira empregada no mercado formal são de países em crise, tais como Venezuela e Haiti. Para os analistas da Fecomercio-SP, esse panorama abre oportunidade para o País elaborar políticas públicas voltadas para a absorção desses trabalhadores. "Conta muito, por exemplo, a boa escolaridade desses migrantes, além do fato de serem jovens e de virem ao nosso País em busca de melhores condições de vida", diz a nota da entidade.
Perfil
O estudo ainda traçou um perfil desses trabalhadores. Para isso, os técnicos da Fecomercio-SP cruzaram os dados da RAIS com o Novo Caged. Eles descobriram que o perfil dominante é o de jovens homens adultos (entre 30 e 39 anos), com ensino médio completo trabalhando em São Paulo (62,7 mil vínculos), em Santa Catarina (60,7 mil) e no Paraná (48,7 mil).
Ainda segundo a análise, deve ocorrer em 2025 a desaceleração do desempenho do mercado de trabalho, que deve impactar também na absorção de mão de obra formal de estrangeiros pelo Brasil.