Bolsas americanas sobem puxadas por bancos e commodities, mas B3 não acompanha o ritmo
Humor do mercado melhorou ao longo do pregão, mesmo após dados da inflação americana virem acima do esperado
Com o apoio dos setores de finanças e de energia, as bolsas de Nova York tiveram uma sessão de ganhos expressivos nesta quinta-feira, 13, a despeito de números fortes da inflação dos Estados Unidos trazerem cautela em um primeiro momento. A inflação dos EUA foi de 8,2% em setembro na comparação anual, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho.
O segmento financeiro teve uma subida forte na véspera do início da temporada de balanços de bancos. Apesar das dificuldades da economia americana, o setor tem o suporte do aumento dos juros via crescimento das receitas. Já a Bolsa brasileira perdeu a linha dos 115 mil pontos em um dia de agenda local esvaziada. O dólar fechou perto da estabilidade.
Já no setor energético, a informação de que empresas americanas de petróleo reduziram a sua produção impulsionou a commodity, que já tinha passado por rali na semana passada quando o cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) anunciou o encolhimento da oferta. Ainda que a Agência Internacional de Energia (AIE) tenha criticado a decisão da Opep+, a percepção que ficou no mercado da commodity é de que, inevitavelmente, a oferta global será menor, e a consequência disso é a subida dos preços do petróleo. O barril do Brent saltou a US$ 94,57 (+2,29%) e o do WTI foi a US$ 89,11 (+2,33%).
E, por mais que esse movimento alimente a inflação global, uma parcela dos agentes vê que, mesmo com as surpresas dos índices americanos de preços ao produtor (PPI) e ao consumidor (CPI), o custo de vida nos Estados Unidos está próximo do pico. O presidente dos EUA, Joe Biden, disse nesta quinta duas vezes que vê "algum progresso" na luta contra os preços altos. Essa visão particular também se somou a uma linha de interpretação da ata do Federal Reserve, que mostrou que vários dirigentes pontuaram que, caso as condições globais se deteriorem, há espaço para calibrar a política monetária.
Ao fim, as bolsas de Nova York terminaram com altas de 2,83% (Dow Jones), 2,60% (S&P 500) e 2,23% (Nasdaq). O DXY cedeu a 112,363 pontos (-0,84%), mas os juros dos Treasuries subiram. Aqui no Brasil, os movimentos foram muito mais comedidos, em um dia de agenda local fraca. Mesmo com o avanço de Petrobrás (ON +3,13% e PN +2,85%), o Ibovespa recuou aos 114.300,09 pontos (-0,46%). Dólar à vista (R$ 5,2730, alta de 0,02%) e juros futuros de curto prazo (Janeiro 2024 em 12,80%) terminaram praticamente iguais à terça-feira.