Bolsa cai 2,5% pressionada por avanço do petróleo e temor de intervenção na Petrobras
Principal preocupação do mercado é que a valorização recente do petróleo, motivada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, não seja repassada ao preço final dos combustíveis por motivações políticas
O Ibovespa iniciou a semana em queda de 2,52%, a 111.593,46 pontos, puxado pela alta do petróleo Brent, que se aproximou dos US$ 140, nesta segunda-feira (7), e do temor de investidores por uma nova intervenção do governo de Jair Bolsonaro na política de preços da Petrobras.
A principal preocupação do mercado é que a valorização recente do petróleo, motivada pela guerra entre Rússia e Ucrânia, não seja repassada para o preço final por motivações políticas. A estatal está há 54 dias sem fazer reajustes, em um contexto em que o valor do petróleo subiu 47% desde o último aumento, em 12 de janeiro.
Na Bolsa, as ações ordinárias (com direito a voto) da estatal caíram 7,65%, cotadas a R$ 34,14, enquanto as preferenciais (que dão prioridade a pagamentos de dividendos) recuaram 7,10% (R$ 31,80), após ter batido a mínima de R$ 31,63. "São os investidores prevendo uma intervenção", crava Rodrigo Barreto, analista da Necton.
Para o chefe de renda variável da Monte Bravo, Bruno Madruga, o natural seria a Petrobras repassar a elevação de custos para o preço do combustível, "mas, do ponto de vista político, isso seria muito ruim para o atual governo, porque pressionaria ainda mais a inflação em um ano eleitoral". Para Madruga, qualquer tipo de intervenção da União poderia afetar o lucro da empresa e a distribuição de dividendos. "Quando vimos a companhia subsidiar custos em governos anteriores, a história não acabou bem", complementa.
No contexto internacional, o dia também foi de queda para nas principais bolsas da Ásia, onde as perdas desta segunda chegaram a 3,87% (Hong Kong), da Europa, a 1,98% (Frankfurt), e de Nova York, a 3,62% (Nasdaq). O mercado segue cauteloso, de olho nas tensões geopolíticas no Leste Europeu e nas consequências econômicas, sobretudo o impacto nas commodities.
Em meio ao isolamento moral, econômico e financeiro da Rússia, o passo seguinte, talvez o mais difícil de todos, pode ser o embargo às exportações de petróleo e gás do país - o que a Europa, em especial a Alemanha, teria dificuldade em lidar, devido à dependência energética à Rússia.
Entre as maioes quedas do Ibovespa, as empresas aéreas Azul (-18,00%), Gol (-17,36%) e a de viagens CVC (-10,49%) lideraram as perdas da carteira Ibovespa na sessão. Já as maiores altas ficaram com os papéis de Bradespar (+3,60%), Vale (+3,04) e Rumo (+1,97%) na ponta oposta - apenas oito ações do índice conseguiram subir nesta segunda-feira.
Em Nova York, além do índice Nasdaq, o Dow Jones e o S&P500 também caíram 2,38% e 2,96%, respectivamente. No câmbio, o dólar à vista foi negociado a R$ 5,0797, em alta de 0,03%. Em março, a moeda norte-americana já acumula desvalorização de 1,47%. Em 2022, perde 8,90%.