BNDES mantém aprovações de crédito em alta; indústria supera o agro pela 1ª vez
Lucro sobe 20,5% em 2024, com as aprovações de crédito tendo crescido 22% ante 2023, para R$ 212,6 bilhões; banco de fomento planeja oferecer R$ 30 bi para projetos de rodovias em 2025
RIO - As aprovações de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 2024 subiram 22% na comparação com 2023, para R$ 212,6 bilhões, com destaque para indústria, que pela primeira vez superou a demanda do agronegócio, com aprovações de R$ 52,4 bilhões, uma alta de 132% em um ano, contra os R$ 52,3 bilhões do agronegócio, ou 92% acima do registrado em 2023.
De acordo com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, mesmo com a alta na taxa básica de juros (Selic) este ano, o banco mantém expectativa de crescimento nas aprovações de crédito, principalmente da indústria, devido a "mediações" que suavizam esse cenário.
"Quando tem aumento forte da Selic, há um impacto forte no nível da atividade e no crédito. Mas há mediações para isso. A Selic cresceu, e o Brasil teve um crescimento forte. A tendência de desaceleração é provável, mas qual será o ritmo? Quais setores serão mais impactados? Tudo isso está em aberto", disse, ao lembrar que a indústria brasileira cresceu o dobro da média mundial em 2024. "E o BNDES continua cumprindo sua função, que é olhar para a Nova Indústria Brasil (NIB), descarbonização, agricultura de baixo carbono, indústria naval, entre outros", complementou.
O BNDES informou nesta terça-feira, 25, que lucrou R$ 26,4 bilhões no ano passado, alta de 20,5% em relação a 2023. Pelo critério recorrente, que exclui fatores como recuperação de crédito, o resultado foi de R$ 13,2 bilhões, alta de 11,1% na comparação com 2023. A carteira de crédito expandida do BNDES subiu 13,6% em um ano, para R$ 584,8 bilhões, a maior carteira e crédito do banco desde de 2017.
Dinheiro para projetos de rodovias
Segundo Mercadante, o banco planeja oferecer R$ 30 bilhões em financiamento a projetos de rodovias este ano. Ele explicou que houve uma mudança no perfil do crédito concedido para projetos de infraestrutura, que já foi dominado por saneamento, mas hoje está mais direcionado a projetos de rodovias.
"Antes era o saneamento que liderava. Agora é o crédito rodoviário. Fizemos R$ 43 bilhões de aprovações para crédito rodoviário e, em janeiro, foram mais R$ 7,4 bilhões. Esse aumento decorre de inovações financeiras que o banco patrocinou, que aliviaram o balanço das empresas e as tem permitido buscar outros negócios", disse.
Ele disse que a mudança nos projetos rodoviários deu maior sustentabilidade financeira. "A âncora do projeto pode ser o próprio projeto, e é isso que tem ajudado a impulsionar o (crédito) rodoviário", continuou, oferecendo como exemplo o financiamento à rodovia Presidente Dutra, cujas melhorias têm sido totalmente bancadas pela receita do seu pedágio.
De acordo com o diretor de Planejamento do BNDES, Nelson Barbosa, o banco foi responsável por 1,4% do crédito na economia no ano passado, o que não afeta o ciclo monetário do País. "Dizer que 1,4% afeta a política monetária é dizer que o rabo abana o cachorro", disse Barbosa, respondendo a críticas de eventuais distorções que o crédito do banco poderia trazer ao mercado.
O BNDES planeja chegar ao fim de 2026 com uma aprovação de crédito em patamar de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e os desembolsos na faixa de 1,5% do PIB. Segundo Barbosa, atualmente as aprovações estão em 1,8% do PIB e o desembolso em 1,1% do PIB.