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BC corta Selic em 0,25 ponto para 14% e deixa próximos passos em aberto

5 ago 2026 - 18h41
(atualizado às 19h01)
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O Banco Central decidiu nesta ‌quarta-feira cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, em decisão unânime de sua diretoria, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que manterá "a restrição adequada" para assegurar a convergência da inflação à meta.

"Essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da ⁠inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante", disse o ‌Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado.

A autarquia argumentou que o cenário atual é "caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e ‌riscos elevados em torno do cenário base", ‌o que exige serenidade e cautela na condução da política monetária.

Dados ⁠recentes têm mostrado um arrefecimento mais forte que o esperado para a inflação corrente, mas agentes de mercado seguem prevendo que o índice de preços permanecerá acima do centro da meta nos próximos anos, segundo o boletim Focus.

"O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para ‌prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos ‌preços e aumenta o ⁠custo de desinflação", ⁠disse a autoridade monetária no comunicado.

Nesta quarta-feira, o BC melhorou ligeiramente sua própria projeção de ⁠inflação para 2026 em relação a ‌junho, de 5,2% para 5,1%, ‌bem acima do teto da meta, considerando o cenário de referência, que segue projeções de mercado para os juros. Para 2027, a projeção subiu de 3,7% para 3,8%.

Em relação ao primeiro trimestre de 2028, ⁠que agora passou a ser o horizonte relevante da política monetária, a expectativa ficou em 3,2%, mesmo patamar estimado em junho no Relatório de Política Monetária da autarquia.

Para fazer as projeções do cenário de referência, o Copom considerou uma taxa de câmbio que ‌parte de R$5,10, mesmo nível usado na última reunião.

A meta contínua de inflação é de 3% no acumulado em 12 meses, com margem de ⁠tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos -- o que na prática implica uma inflação de até 4,5%.

Esse foi o quarto corte seguido de 0,25 ponto percentual na taxa após o BC iniciar em março um ciclo de "calibragem" da Selic, que havia atingido na ocasião o maior nível em quase duas décadas. Com a nova redução, os juros básicos vão agora ao patamar mais baixo desde março do ano passado, apesar de seguir em nível historicamente elevado.

A decisão veio em linha com o esperado pelo mercado. Em pesquisa da Reuters, 38 dos 42 economistas projetaram que o BC cortaria a Selic em 0,25 ponto neste mês, enquanto quatro esperavam manutenção.

(Edição de Pedro Fonseca e Fabrício de Castro)

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