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Após fala de Guedes, Bolsa cai e dólar bate em R$ 5,67

'Há preocupação forte do mercado com o fiscal. A questão nem é mais se romperá o teto de gastos. Depois da fala do Guedes, o problema é saber qual será o tamanho do rombo', afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus

21 out 2021 - 10h33
(atualizado às 10h47)
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Clima cauteloso no exterior e persistentes preocupações de investidores com a dinâmica fiscal do Brasil levam o Ibovespa à queda na abertura do pregão desta quinta-feira, 21. Às 10h19, o principal índice do mercado de ações do País estava aos 108,6 mil pontos, em queda de 1,9% em relação ao fechamento do dia anterior.

Ministro da Economia, Paulo Guedes
02/09/2021
REUTERS/Adriano Machado
Ministro da Economia, Paulo Guedes 02/09/2021 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

"Há uma preocupação forte do mercado com o fiscal. A questão nem é mais se romperá o teto de gastos. Depois da fala do Guedes (ministro da Economia), isso ficou claro. O problema é saber qual será o tamanho do rombo", afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.

Guedes não só admitiu que o governo poderá furar o teto de gastos em R$ 30 bilhões para lançar o Auxílio Brasil de R$ 400, como disse que "a forma de fazer (o auxílio) é a política que decide". "Faremos sincronização de ajustes de salário ou pediremos licença de R$ 30 bi", afirmou. A ala política, porém, quer um valor ainda maior fora do teto. Já o ministro da Cidadania, João Roma, disse que o governo não trabalha com uma possibilidade fora do teto de gastos, mas de mudança na regra a fim de não comprometer os gastos públicos.

Como ressalta Lucas Collazo, especialista em investimentos da Rico, foi a primeira vez que o ministro reconheceu em público que precisará "driblar" a regra do teto para cumprir a determinação do presidente Jair Bolsonaro e o projeto do Auxílio Brasil. "Mais uma vez, investidores ficam com olhos bem abertos para o risco fiscal e expressam sua cautela nos preços lá fora nesta manhã", diz em nota, ao citar o recuo do EWZ.

Além das questões internas, Vitor Miziara, da Criteria Investimentos, afirma que hoje "não é um dos melhores dias" para os mercados. Externamente, ele cita a queda de várias bolsas asiáticas e das commodities, refletindo as medidas do governo da China para tentar segurar os preços de algumas matérias-primas como minério de ferro e carvão e, consequentemente, inibir inflação. Além disso, o "caso Evergrande" voltou a incomodar os mercados.

A incorporadora chinesa não conseguiu fechar a venda de uma fatia de 50,1% de sua unidade Evergrande Property Services, num acordo que renderia cerca de US$ 2,6 bilhões e ajudaria a empresa a evitar um calote. Há temores de que a crise da Evergrande se espalhe pelo continente asiático. Os problemas financeiros da gigante construtora Evergrande estão afetando bônus com grau especulativo do setor imobiliário chinês.

Por conta disso, inclusive, as Bolsas da Europa operam em queda desde a abertura. Investidores também monitoram balanços corporativos da região e dos EUA. Pelo mesmo motivo, na Ásia, pela manhã, os mercados fecharam majoritariamente em baixa.

O minério de ferro fechou em queda de 5,75% no porto chinês de Qingdao, a US$ 116,93 a tonelada, o que deve pesar nas ações do setor metálico no Ibovespa, assim como o recuo do petróleo no exterior influenciar negativamente os papéis da Petrobras.

Ficam ainda no radar os dados de produção da estatal. A produção comercial de petróleo e gás natural da Petrobras caiu 5% no terceiro trimestre ante igual período de 2020 e as vendas subiram 10,5% no período.

Às 10h20, o Ibovespa cedia 1,84%, aos 108,7 mil pontos. Já o dólar subia 1,42%, a R$ 5,64 - a máxima das negociações desta quinta atingiu R$ 5,6750. De acordo com o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, a agenda leve hoje aqui e lá fora pode abrir espaço para volatilidade, em meio a certa cautela de investidores com a possibilidade de antecipação de alta de juros nos EUA e desaceleração global. Internamente, diz, em nota, há o "medo de mudanças em regras fiscais, que trazem incertezas e dificultam precificação dos ativos no Brasil."

Estadão
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