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Apertar limite de crescimento de gasto sem apontar cortes não é ajuste fiscal, diz Tereza Cristina

Segundo a senadora, o agro brasileiro enfrenta uma combinação de dificuldades financeiras que tem se refletido no aumento das dívidas e dos pedidos de recuperação judicial

25 ago 2026 - 12h23
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Resumo
A senadora Tereza Cristina criticou a proposta do governo de reduzir o teto de gastos de 2,5% para 1,5% ao ano sem detalhar cortes, afirmando que isso não configura um ajuste fiscal real. Em evento da CNA, ela apontou que o país arrecada muito, mas gasta mal, e cobrou responsabilidade fiscal também do Congresso. Segundo a parlamentar, o desequilíbrio das contas públicas gera incertezas e mantém os juros elevados, o que sufoca o agronegócio e eleva o endividamento e as recuperações judiciais no setor.

A ideia de reduzir o teto de crescimento das despesas públicas de 2,5% para 1,5% ao ano, hoje em discussão na equipe econômica do governo federal, não resolve o problema fiscal do País enquanto o governo não for dito onde serão os cortes, disse nesta terça-feira, 25, a vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS).

A fala foi feita durante o "Fórum CNA 2026 - Agenda Brasil: Crescimento, Emprego e Competitividade", em São Paulo. O evento é realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Estadão e com curadoria da Broadcast.

"A Fazenda discute apertar esse limite de 2,5% para 1,5% ao ano e continua sem dizer onde vai cortar. Isso também não é ajuste. Ajuste, de verdade, dói: alguém perde", afirmou a senadora. Tereza Cristina lembrou que votou contra o arcabouço fiscal em 2023, ainda na Câmara, por avaliar que o texto enviado ao Legislativo garantia crescimento de despesas sem prever a receita correspondente. "A proposta que foi enviada não garantiu ajuste fiscal, garantiu aumento de despesas, e não necessariamente de receitas", disse.

Segundo Tereza Cristina, juros elevados e aumento do endividamento têm limitado a capacidade de crescimento do agro
Segundo Tereza Cristina, juros elevados e aumento do endividamento têm limitado a capacidade de crescimento do agro
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Para sustentar a crítica, a senadora citou levantamento do Estadão segundo o qual quase 70% das despesas do Executivo sujeitas ao arcabouço fiscal crescem acima do limite fixado pelo próprio governo. Segundo ela, mesmo com recorde de arrecadação ao longo do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, faltou debate sobre a qualidade do gasto. "O problema brasileiro não é falta de arrecadação. Pelo contrário: o Estado arrecada muito, mas gasta ainda mais, e gasta muito mal", afirmou.

A crítica também mirou o Congresso, do qual Tereza Cristina faz parte. "Se o setor produtivo é cobrado todos os dias por eficiência e por resultado, por que os gestores do orçamento público não são?", questionou, ao classificar como irresponsáveis votações recentes de medidas populistas sem indicação de fonte de custeio.

Na avaliação da senadora, decisões de caráter eleitoral e benefícios setoriais concedidos sem contrapartida fiscal ampliam a incerteza para empresas e investidores, o que reforça, segundo ela, a necessidade de mais previsibilidade na condução da política econômica.

Condições 'insustentáveis' para o agro

Tereza Cristina disse também que o ambiente de juros elevados e o aumento do endividamento têm limitado a capacidade de crescimento do agronegócio brasileiro. "É por isso que a agricultura brasileira está nessa situação. Não é porque ela é incompetente, não é porque ela gerencia mal, é porque as condições dadas a ela são insuportáveis e insuperáveis hoje para nós continuarmos a crescer", afirmou.

Segundo a senadora, o setor enfrenta uma combinação de dificuldades financeiras que tem se refletido no aumento das dívidas e dos pedidos de recuperação judicial. "A agricultura usa tecnologia, nós somos o setor que puxa a economia brasileira, mas nós estamos assistindo uma tempestade mais do que perfeita nesse setor", disse.

Ela relacionou a situação do campo ao nível dos juros e à falta de previsibilidade econômica. Na avaliação dela, o desequilíbrio das contas públicas dificulta a redução das taxas cobradas de empresas e produtores que precisam recorrer ao crédito. "Essa falta de credibilidade é que deixa os juros que não conseguem cair a patamares decentes para quem produz e precisa ir ao mercado buscar dinheiro", afirmou.

Tereza Cristina defendeu maior controle das despesas públicas como forma de reduzir os juros e melhorar as condições de investimento. "Contas públicas em ordem derrubam juros, destravam investimento e geram emprego", afirmou.

Estadão
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