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Canadá anuncia tarifas retaliatórias de 15% a 50% sobre produtos dos EUA

Tarifas de retaliação impostas por Ottawa entrarão em vigor no dia 8 de setembro

25 ago 2026 - 12h32
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Resumo
O Canadá anunciou tarifas retaliatórias de 15% a 50% sobre produtos dos Estados Unidos a partir de 8 de setembro, além de um pacote de ajuda de US$ 5,4 bilhões para setores afetados. A decisão responde às tarifas de 50% aplicadas por Donald Trump após o fracasso nas negociações bilaterais. As medidas canadenses atingem indústrias como siderurgia, laticínios e eletrônicos, intensificando a guerra comercial entre os dois parceiros históricos.

O Canadá anunciou nesta terça-feira, 25, tarifas de retaliação sobre produtos dos Estados Unidos que variam de 15% a 50%. A medida intensifica a guerra comercial entre os dois aliados historicamente próximos.

As tarifas de retaliação impostas por Ottawa entrarão em vigor em 8 de setembro, prazo já anunciado pelo primeiro-ministro Mark Carney depois que as tarifas de 50% do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos canadenses entraram em vigor no sábado, 22.

Autoridades canadenses disseram nesta terça-feira que as novas tarifas terão os mesmos níveis das impostas pelos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que anunciaram um pacote de ajuda de US$ 5,4 bilhões para empresas e trabalhadores afetados.

Na sexta-feira, 21, Canadá e Estados Unidos não chegaram a um acordo para evitar novas tarifas americanas de 50% sobre determinados produtos canadenses, após semanas de negociações. As medidas entraram em vigor no sábado, e Ottawa anunciou que adotaria tarifas retaliatórias.

Na segunda-feira, Trump afirmou ainda que pretende dobrar, a partir do próximo ano, as tarifas sobre automóveis canadenses, elevando a alíquota para 50%. Atualmente, os veículos produzidos no Canadá estão sujeitos a uma tarifa americana de 25% sobre o conteúdo não americano. O aço importado pelos Estados Unidos, por sua vez, geralmente é tributado em 50%.

Após rejeitar o que classificou como um "mau acordo", o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou tarifas retaliatórias com início previsto para 8 de setembro e confirmadas nesta terça-feira. As medidas atingirão as indústrias siderúrgica e de laticínios dos Estados Unidos, além de setores como equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos.

Carney afirmou na segunda-feira que o objetivo das negociações com Washington sempre foi alcançar "o melhor acordo para os canadenses", e não aceitar um acordo "a qualquer preço ou em qualquer prazo".

Segundo o primeiro-ministro, os Estados Unidos tentaram impor condições que poderiam prejudicar setores estratégicos da economia canadense, incluindo as indústrias automotiva, siderúrgica e de alumínio. Ele também afirmou que os negociadores americanos buscaram, na última hora, restringir acordos comerciais do Canadá com outros países.

Carney disse ainda que as negociações envolveram "ameaças" consideradas inaceitáveis à língua francesa e à cultura de Quebec, província francófona no leste do país.

Em um evento separado na segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, atribuiu o fracasso das negociações às "exigências descabidas de última hora" apresentadas pelo Canadá.

Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial do Canadá. Cerca de 70% das exportações canadenses têm como destino o país vizinho. O Canadá, por sua vez, é o segundo maior parceiro comercial dos Estados Unidos em bens neste ano, atrás apenas do México, segundo dados do governo americano. /AFP

Estadão
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