Script = https://s1.trrsf.com/update-1778180706/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Alta nos combustíveis por causa da guerra não necessariamente acelera transição energética

Clarissa Lins e Marcelo Araujo avaliam o cenário no mercado de energia no São Paulo Innovation Week

13 mai 2026 - 14h23
Compartilhar
Exibir comentários

A alta no preço dos combustíveis e a escassez de petróleo em algumas partes do mundo decorrentes da guerra no Oriente Médio não necessariamente vão acelerar a transição energética, de acordo com Clarissa Lins, sócia-fundadora da consultoria Catavento e conselheira do Programa para a Transição Energética e Industrial do Fórum Econômico Mundial.

De acordo com a especialista, o conflito exacerba a fragilidade das cadeias econômicas que dependem de uma única fonte de energia ou de uma única região produtora. Assim, alguns países importadores de petróleo podem voltar a apostar em carvão para diversificar suas fontes e garantir segurança energética. Outros países, porém, poderão, sim, intensificar seus investimentos em fontes de energia limpa, diz Clarissa.

Raquel Landim conduz debate com Clarissa Lins e Marcelo Araujo no 1º dia do SPIW, no Pacaembu.
Raquel Landim conduz debate com Clarissa Lins e Marcelo Araujo no 1º dia do SPIW, no Pacaembu.
Foto: Werther Santana/Estadao / Estadão

"A guerra mostra a fragilidade de se depender de uma única fonte e uma única região", destaca ela, que participou da palestra "Cenário energético global e os desafios da energia no Brasil", que abriu as discussões sobre energia no São Paulo Innovation Week (SPIW).

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

Segundo Clarissa, mesmo considerando um cenário em que a transição energética avança, a fragilidade de se depender de uma única região produtora pode continuar. Isso porque a China hoje detém a maior parte dos parques industriais que produzem soluções tecnológicas elétricas. "Ela domina as cadeias de energia solar, bateria, carro elétrico, com fatias de mercado de 70% a 80%. Também domina o refinamento dos materiais críticos."

A consultora frisou que Pequim tem investido de forma pesada nessas tecnologias, com recursos públicos, há 20 anos. "O competidor está muito bem treinado há muito tempo. Isso gera excesso de oferta, o que faz com que o preço de suas tecnologias seja baixo e fique muito difícil para outros competirem."

No mesmo debate, Marcelo Araujo - que já presidiu empresas como Ipiranga, Grupo Libra e Lojas Marisa - lembrou que, diante da guerra, a transição energética não pode mais ser discutida sem levar em conta questões como segurança energética, competitividade e soberania. "O desafio aumentou."

Segundo o executivo, que também é membro do conselho de administração da S.A. O Estado de S. Paulo, as respostas a esse novo desafio variam conforme a realidade do País. Nesse cenário, o Brasil ocupa posição privilegiada por ter fontes de energia limpa e por produzir petróleo - o que lhe garante segurança energética.

"O Brasil está na contramão. Hoje somos beneficiados por esse cenário, porque somos grandes exportadores de petróleo", destaca.

Araujo defendeu a exploração de petróleo na Margem Equatorial para que o País não se torne, no futuro, importador líquido do produto. "Se isso acontecer, ficaremos ainda mais pressionados quando houver volatilidades como as da guerra."

Estadão
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra