Agronegócio pede leilão imediato de megaterminal em Santos para evitar colapso de porto
Com atrasos e restrições, associações do agronegócio temem impacto negativo na logística de cargas conteinerizadas e pressionam por soluções rápidas; mais cedo ministro de Portos e Aeroportos disse que leilão deve ocorrer em maio
Associações ligadas ao agronegócio brasileiro se manifestaram em apoio à "imediata realização do Leilão do Tecon Santos 10, de forma ampla e irrestrita". As entidades avaliam que interromper ou atrasar o processo, em ano eleitoral, "compromete investimentos estruturantes e agrava a crise logística para as cargas conteinerizadas no Porto de Santos".
O pronunciamento é assinado pela Associação de Exportadores de Açúcar e Álcool (Aexa), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) e Associação Logística Brasil.
Mais cedo, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que a expectativa é de que o leilão do Tecon 10 ocorra em maio. Os cronogramas iniciais previam que a disputa acontecesse em janeiro de 2026, mas o prazo foi sendo estendido gradativamente. Os adiamentos ocorrem em meio aos imbróglios envolvendo restrições de participantes na disputa.
"O governo precisa esclarecer diretrizes que apontem para uma abertura isonômica e transparente, que não sugira predileção de parceiros e eleve o nível de competitividade, com base no livre mercado, gerando ainda mais argumentos para uma eminente judicialização", afirmam por meio de nota.
As entidades avaliam que esse cenário atrasaria ainda mais a maior licitação portuária da história do Brasil e colocaria o País diante de um cenário crítico. "O Porto de Santos vai colapsar já em 2030 se não houver expansão urgente", reforçam.
Em 2025, o setor de café, por exemplo, acumulou R$ 66,1 milhões em prejuízos logísticos, com 55% dos navios atrasados e 1.824 contêineres não exportados por mês, gerando US$ 2,64 bilhões em receitas cambiais perdidas, ainda segundo o pronunciamento.
Restrições
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que o certame não será aberto para a participação de operadores já atuantes no complexo santista. No entanto, a limitação de participantes tem sido alvo de empresas e associações.
"Nós ainda estamos modelando o edital com a Antaq para apresentá-lo ao presidente Lula após o Carnaval e a partir daí tomarmos uma decisão conjunta", disse Costa Filho em evento do BTG Pactual realizado nesta terça-feira.