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Ações de educação ensaiam melhora na B3 após pressão com resultado do Enamed

20 jan 2026 - 10h09
(atualizado às 13h29)
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Ações de educação tinham desempenho misto na bolsa paulista nesta terça-feira, um dia após o resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) derrubar os papéis ao mostrar cerca de 100 cursos de medicina em todo o país com desempenho insatisfatório.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) na véspera, dos 304 cursos ‌de medicina de instituições de educação superior públicas federais e privadas que participaram do Enamed, 204 (67,1%) alcançaram conceito 3 a 5 do Enade, considerados satisfatórios.

Outros 99 cursos (32%) obtiveram ‌conceito Enade nas faixas 1 e 2 - menos de 60% dos seus estudantes apresentaram desempenho considerado adequado no Enamed - e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres) do MEC.

Os cursos com conceito 1 e 2 pertencem a 93 instituições de educação superior e estão sujeitos a um processo de supervisão, com a aplicação de diferentes medidas cautelares, de forma escalonada. Entre as penalidades, estão restrições ao Fies e suspensão de vagas.

De acordo com o MEC, as instituições poderão se ‍manifestar, no prazo de 30 dias, e requerer a concessão de prazo para saneamento das deficiências.

Analistas do Citi avaliaram que, apesar de incertos e provavelmente transitórios, os resultados do exame são negativos.

"Não apenas pelo potencial de limitar o crescimento no curto prazo, mas também por pressionar as marcas das instituições e aumentar a assimetria regulatória - ou seja, a falta de isonomia no ônus regulatório entre programas mais maduros e os mais novos", escreveram Leandro Bastos e ‌equipe.

Por volta de 13h10, na bolsa paulista, as ações da Cogna subiam 1,67%, os papéis da Yduqs tinham elevação de ‌0,59% e as ações da Anima avançavam 2,93%, enquanto os papéis da Ser Educacional cediam 0,6%. Em Nova York, as ações da Afya subiam 0,36%.

Na véspera, Cogna fechou em baixa de 1,91% e Yduqs caiu 1,9%, Anima ON perdeu 6,48% e Ser Educacional recuou 6,77%. Afya não foi negociada por feriado nos Estados Unidos.

Em nota na véspera, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) informou que está acompanhando a divulgação dos resultados do Enamed.

"Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje (segunda-feira)", disse, citando que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep.

Procuradas na segunda-feira pela Reuters, Cogna, Yduqs, Anima e Afya não comentaram. Procurada nesta terça-feira, a Ser disse que não foi ainda formalmente notificada dos resultados oficiais pelo sistema e-MEC e terá ainda prazo para manifestação sobre os resultados de suas instituições participantes.

"A Ser Educacional defende a avaliação da formação médica, porém, ela precisa ser técnica, previsível e orientada à melhoria do ensino", afirmou em nota, na qual também manifestou preocupação com a forma como estão sendo noticiadas as informações sobre a primeira edição do Enamed.

"O debate sobre o Enamed é legítimo e necessário, mas precisa ser conduzido com responsabilidade, transparência e compromisso com o aprimoramento real da educação médica no país e das políticas públicas educacionais", acrescentou.

Na visão da equipe do Citi, o desfecho envolvendo o Enamed pode ajudar a melhorar o ambiente competitivo para os cursos não impactados, que devem se beneficiar da redução da oferta.

Analistas do UBS BB também consideraram a notícia negativa para o setor e estimaram que o resultado do exame pode levar a disputas judiciais adicionais, lembrando que as instituições têm um prazo de 30 dias para apresentar ‌sua defesa após a divulgação do resultado do exame.

A equipe do BTG Pactual destacou que o Enamed adiciona ruído regulatório ao negócio de educação médica, até então, estável e atrativo. Mas ponderou que os impactos econômicos de curto prazo devam permanecer bastante limitados, avaliando também que as empresas devem buscar medidas administrativas e judiciais.

"Apesar desse ruído, estamos gradualmente mais construtivos em relação ao setor educacional, apoiados por uma forte geração de fluxo de caixa livre", afirmaram Samuel Alves e Maria Resende em relatório a clientes.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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