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Regina Duarte espera oportunidades de papéis menos heróicos

5 abr 2009 - 08h28
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Experimentar outras possibilidades de interpretação. Essa parece ser a filosofia que Regina Duarte adota atualmente em sua carreira. Famosa pelo título de

Regina Duarte fala de sua carreira
Regina Duarte fala de sua carreira
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias / TV Press
Namoradinha do Brasil

no início década de 70, a atriz não parece mais se preocupar em aparecer sempre como a boa mãe, que dá a vida pelos filhos ou pessoas próximas.

Daí ter recusado de cara o convite para viver a sábia e espiritualizada Virgínia de Três Irmãs. O papel acabou nas mãos da colega Ana Rosa e o autor Antônio Calmon ofereceu para Regina a misteriosa Waldete. "Quando li, vi que já tinha feito várias mulheres iguais àquela. Era como as Helenas do meu currículo", analisa Regina, referindo-se às protagonistas de História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida, todas de Manoel Carlos.

Agora, na reta final da novela, Regina continua com a ideia de diversificar seus trabalhos. A atriz deixa claro que, aos 62 anos, ainda tem muitos anseios na vida profissional. E um deles é interpretar uma grande vilã, posição que rejeitou no passado. "Acho que hoje estou madura para isso. Antes não queria causar estranhamento nas telespectadoras que se acostumaram a me ver como mocinha", explica.

Quando Dennis Carvalho a chamou para ingressar em Três Irmãs, você recusou o papel da Virgínia. Por quê?
Assim que o Dennis me mandou a sinopse, ele me pediu que eu lesse a descrição da Virgínia. Foi o que fiz, mas respondi que já tinha interpretado aquele tipo várias vezes na TV. Ele e o Antônio Calmon me chamaram e eu disse que queria muito fazer a novela, mas gostaria de um outro estilo de interpretação. Trabalhei com o Calmon rapidamente numa participação especial em Top Model, na estreia da minha filha, Gabriela. Gosto da comunicação que ele estabelece com os jovens. Mas já que o horário permitia, gostaria de fazer algo mais leve mesmo.

E conseguiu?
Sim. É diferente quando você faz uma novela leve e quando você tem um personagem leve. Foi um acréscimo no meu currículo, fiquei mais rica com esse trabalho. De experiência, de vivência, de novas conquistas. Me deu muitas chances de mostrar um lado meu que eu não tinha a oportunidade de expressar há muito tempo.

Qual lado?

O do humor mesmo. Fiz isso algumas vezes na TV e deu certo. Em Rainha da Sucata, por exemplo, a Maria do Carmo era muito dramática, mas cheia de possibilidades de comédia. E, em Roque Santeiro, eu também consegui isso. Adoro! Tem uma criança dentro de mim que se manifesta, que aflora nesses personagens. Brinco, me divirto, me sinto mais viva. Um papel como esse me rejuvenesce muito, busco essa criança em mim para entrar na cena.

Como o público reagiu a essa mudança?
A repercussão foi excelente. Todos elogiaram. Tenho um público fiel depois de 44 anos de televisão. Isso me deu muita força. Não é fácil tentar esse tipo de mudança. Sou uma atriz que sofre todos os sintomas das estreias.

Que tipo de sintomas?
Todas as aflições, inseguranças, incertezas, o medo... A gente sabe que o artista é uma pessoa que não deve ter receio do ridículo. Mas o ser humano sempre tem. Ninguém quer pagar mico, fazer algo que pode pegar mal. E a Waldete era audaciosa. Não é um papel tranquilo, com margens de segurança. Ela foge da normalidade e tudo que é assim corre o risco de resultar em mico. Se fosse a Virgínia, seria mais fácil, porque ela tem muito de todas as Helenas que interpretei nas novelas do Manoel Carlos. A mãe sábia, que luta pela felicidade das filhas, que tem um coração bom e, ao mesmo tempo, é muito humana. O novo me fez passar por todas essas dores do parto.

E em algum momento você se sentiu caindo no ridículo?
Não sei. Acho que usei muitas perucas no início. E hoje, sendo crítica, vejo que não precisava disso. Mas usei para me proteger. Foi uma espécie de máscara, de armadura de defesa. Se as pessoas achassem que ela estava ridícula, eu poderia ir eliminando, limpando, deixando ela mais normal. Como ela veio aparecendo nessa reta final. Houve um certo exagero no início. Se eu pudesse refazer, já pegaria ela assim. Mas acontece. A criatividade precisa da experimentação. No teatro, você tem sempre uns três meses para pegar o ritmo e encontrar a personagem. Aqui você faz isso quando já está no ar. A gente experimenta com o decorrer da obra.

Você ainda espera uma nova mudança nos papéis futuros?
Já fiz mulheres com traços de maldades, mas tudo muito sutil. A grande vilã, como a Bia Falcão, que a Fernanda Montenegro fez em Belíssima, ou a Nazaré, que a Renata Sorrah interpretou em Senhora do Destino, isso eu nunca fiz. E acho que preciso experimentar. Na verdade, estou começando a querer fazer. Rejeitava essa possibilidade, mas agora já sinto maturidade para encarar.

Você rejeitava papéis de vilã por causa do título de Namoradinha do Brasil?
Meu problema não era o título, mas o que o trouxe a mim. Foi conseqüência de uma postura, de uma carreira construída com papéis do bem, batalhadores, paradigmáticos, de bons valores. Acho que o público em geral, e eu mesma também, criamos uma expectativa em relação aos meus trabalhos. Então eu ficava pensando que aparecer na pele de uma vilã poderia causar uma decepção, um estranhamento nas senhoras que me acompanhavam desde que eu era garota. Sempre entendi que elas esperavam nos meus papéis esses valores, posturas, enfim, algo positivo que as ajudassem a resolver seus problemas. E eu sempre me preocupei com essa imagem de telespectadora. Mas com o tempo entendi que a televisão, para o bem ou para o mal, educa. Faz pensar, causa identificação. E os maus exemplos também entram aí, para que ninguém faça igual.

Você já se queixou de ter fama de "chata" entre seus colegas. E, por isso, acreditava perder algumas oportunidades de atuar. Ainda sente isso?
Essa fama existe. Percebo em pequenas sutilezas das pessoas no comportamento comigo. Tento tirar isso com a minha postura, o meu trabalho e o meu relacionamento com a equipe. Na verdade, acho que isso surgiu em função de uma série de privilégios que conquistei ao longo da minha carreira. Coisas que não exigi, me foram ofertadas.

Como o quê?
Como gravar três vezes por semana. Tinha muito a ver com o fato de eu ter a minha família estruturada em São Paulo, com filhos estudando lá. Era difícil conciliar essa vida de mãe e atriz. Mas houve uma mudança de gestão radical na Globo e isso fez com que a relação da empresa comigo se modificasse. Como funcionária, me adaptei a essa nova gestão. Mas tudo bem, isso não é mais um problema para mim. Tenho outra disponibilidade para o trabalho, já que meus filhos estão criados. Eu também estou aprendendo a falar menos as coisas que eu penso.

Por quê?
Ah, pelo menos nos departamentos que não são meus. Fui educada pelo Walter Avancini para participar de todo o processo da TV. Ele queria que a gente conhecesse tudo. Mas aos poucos a televisão ficou cada vez mais especializada. Meio "cada um cuida do seu". Então, é isso que eu faço. Hoje sinto que estou mais preparada para cuidar do meu e deixar que os outros cuidem do que é deles. Estou me deseducando de como aprendi a atuar e me relacionando com o trabalho de outra forma. Só me pronuncio quando solicitada. Sinto que poderia contribuir mais, mas fico insegura porque posso ser interpretada de maneira incorreta.

É difícil?
Está tudo certo. Em Três Irmãs já consegui me concentrar só no meu trabalho. Vejo tudo, tenho o olho crítico do mesmo jeito, que adoro ter e não quero perder. Mas não me pronuncio quando não sou chamada. Só no que diz respeito ao meu trabalho. Como na caracterização e no figurino. Luto pelas coisas que acho que vão enriquecer a obra. Fico imaginando um produtor ou um diretor, um figurinista, tendo de pensar em 60, 70 personagens. Só penso no meu. Tenho mais tempo para enriquecer meu papel do que eles. Tudo que sinto e penso, eu trago e tento colocar. Pode ser aceito ou não. Sei que a palavra final não é minha, mas nunca vou deixar de trazer essa contribuição.

Início vigiado
Regina Duarte mostra emoção ao lembrar do início de sua trajetória artística. Filha de pais rígidos, a atriz conta que não foi difícil convencê-los a deixá-la se aventurar na televisão ainda na adolescência. Mas até seu primeiro casamento, sempre teve algum parente acompanhando-a em todos os trabalhos. "Quando eu tinha de gravar em outra cidade, ia alguém comigo", lembra, com uma leve risada.

O apoio dos pais veio, segundo a atriz, por uma visão progressista do pai militar em relação à arte. "Ele acreditava nela como uma reformadora da sociedade. Uma espécie de veículo de contribuição para o desenvolvimento da humanidade", filosofa. E sua criação foi repleta de princípios éticos, morais e religiosos. O que, de certa forma, pode ter contribuído para sua trajetória de "boa moça" na televisão. "Eles queriam me passar sempre valores bons. Me cobravam um bom comportamento", confessa.

Vontade de escrever
Regina sempre pensou em escrever um livro. Mas, até hoje, ainda não conseguiu colocar seu desejo em prática. "Não pude criar condições para que isso acontecesse. É um ato que exige silêncio, quietude, solidão", analisa.

Mas não nega que esse seja um dos seus principais objetivos atuais. E chega a demonstrar interesse em, possivelmente, pensar em algo voltado para a teledramaturgia. "Não deixa de ser literatura", esclarece. Enquanto não avança nesse sonho, ela treina a escrita em seu blog.

Na página http://bloglog.globo.com/reginaduarte, ela aproveita para interagir com os fãs e manifestar suas opiniões e pensamentos. Por isso mesmo, é comum vê-la com uma câmara digital, tirando fotos para, depois, postá-las. "Esse contato com o público me faz muito bem", elogia.

Trajetória Televisiva
# A Deusa Vencida (TV Excelsior, 1965) - Malu.

# A Grande Viagem (TV Excelsior, 1965) - Isabel.

# Anjo Marcado (TV Excelsior, 1966) - Lilian.

# As Minas de Prata (TV Excelsior, 1966) - Inesita.

# Os Fantoches (TV Excelsior, 1967) - Bete.

# O Terceiro Pecado (TV Excelsior, 1968) - Carolina.

# Legião dos Esquecidos (TV Excelsior, 1968) - Regina.

# Os Estranhos (TV Excelsior, 1969) - Melissa.

# Dez Vidas (TV Excelsior, 1969) - Pom Pom.

# Véu de Noiva (Globo, 1969) - Andréa.

# Irmãos Coragem (Globo, 1970) - Ritinha.

# Minha Doce Namorada (Globo, 1971) - Patrícia.

# Selva de Pedra (Globo, 1972) - Simone.

# Carinhoso (Globo, 1973) - Cecília.

# Fogo Sobre Terra (Globo, 1974) - Bárbara.

# Nina (Globo, 1977) - Nina.

# Malu Mulher (Globo, 1979) - Malu.

# Sétimo Sentido (Globo, 1982) - Luana/Priscila.

# Guerra dos Sexos (Globo, 1983) - Alma.

# Joana (Globo, 1984) - Joana.

# Roque Santeiro (Globo, 1985) - Viúva Porcina.

# Vale Tudo (Globo, 1988) - Raquel.

# Top Model (Globo, 1989) - Flora.

# Rainha da Sucata (Globo 1990) - Maria do Carmo.

# Incidente em Antares (Globo, 1994) - Shirley.

# Irmãos Coragem (Globo, 1995) - Cameo.

# História de Amor (Globo, 1995) - Helena.

# Por Amor (Globo, 1997) - Helena.

# Chiquinha Gonzaga (Globo, 1999) - Chiquinha.

# Desejos de Mulher (Globo, 2002) - Andréa.

# Kubanacan (Globo, 2003) - Maria Félix.

# Páginas da Vida (Globo, 2006) - Helena.

# Três Irmãs (Globo, 2008) - Waldete.

Fonte: TV Press
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