Novela global que trocou de autor durante exibição estreou há 23 anos
Uma das novelas mais caóticas da Globo, estreou há 23 anos e foi marcada por contratempos, bastidores ruins e troca de autor enquanto estava no ar
A Globo passou um sufoco em uma das suas tramas clássicas: estreava em 2002, há 23 anos, a obra Esperança. Um dos maiores caos nos bastidores da obra foi a troca de autor enquanto a novela estava em exibição e contou com atraso nas gravações. A audiência também acabou despencando enquanto o caos era nítido para o telespectador.
Escrita originalmente por Benedito Ruy Barbosa, a novela tinha como um antecedente ser uma continuação do sucesso Terra Nostra (1999). O autor mudou de ideia no meio do caminho ao assistir Aquarela do Brasil, de Lauro César Muniz, ao perceber que a sinopse da trama original conflitava com ela, ambas ambientadas na Segunda Guerra Mundial. No entanto, ele usou os mesmos elementos do sucesso estrelado por Ana Paula Arósio e partiu de outro ponto marcante da história: a quebra da bolsa de Nova Iorque e a crise econômica que veio com ela, como relembra Nilson Xavier, do Teledramaturgia.
Atrasos constantes
Xavier relembra que, com apenas três meses no ar, Esperança enfrentava um caos: Benedito demorava a entregar os capítulos e os atores começaram a gravar as cenas na véspera ou no dia que iria o ar. Por conta disto, flashbacks eram usados de forma constante e a obra começou a ter uma grande "barriga", como é popularmente conhecida a fase que a obra fica estagnada. A audiência começou a entrar em queda livre.
Troca de autor
Nilson relembrou que, devido às urgências e a pressão da Globo, Benedito acabou parando de escrever a trama e quem assumiu foi Walcyr Carrasco. A partir do capítulo 149 do folhetim, o autor de Alma Gêmea escreveu os episódios ao lado de Thelma Guedes.
Barbosa contou ao projeto da Memória Globo (Autores, Histórias da Teledramaturgia) que enfrentava um drama pessoal ao longo da novela, além de demonstrar que não queria que sua obra fosse ao ar no período: "Eu não queria que a novela fosse ao ar junto com a Copa do Mundo [de 2002, da Coreia e Japão] e o horário político. Achei que me prejudicaria. Mas teimaram e fizeram mesmo assim. (…) Além disso, minha mãe estava doente. Eu deixava de escrever para ir ao hospital, voltava para casa chocado, tentava escrever. (…) Foi ficando muito difícil para mim até que, um dia, resolvi parar."
Em entrevista a André Bernardo e Cíntia Lopes, o autor revelou que odiou os rumos que a trama tomou. Walcyr acrescentou personagens, criou novos enredos e mudou algumas personalidades: "Quando ele assumiu a novela, deixei de assistir. Se visse, queria bater nele. Na época, liguei para o Mário Lúcio Vaz e disse 'avisa o Walcyr que quando eu encontrar com ele, eu vou dar porrada, entendeu?' Ele simplesmente acabou com minha novela. Não terminou como eu queria. Depois, mandou uma carta pedindo desculpas. Coitado! (…) No fim, tudo terminou bem."
A obra pode ser revista no Globoplay. Esperança acabou não recebendo uma reprise na televisão.