'Dona Xepa' chega em sua reta final com vilã forte e trama mediana
Apesar de contemporânea, Dona Xepa ainda se prende ao passado. Principalmente, no que diz respeito ao maniqueísmo com que muitas questões são apresentadas. Isso porque, assim como na primeira versão televisiva da trama, exibida em 1977 pela Globo, quase tudo parece estar em um extremo oposto. E o que melhor representa isso são a protagonista e a vilã: Xepa e Rosália, vividas por Angela Leal e Thais Fersoza, respectivamente. Enquanto a primeira é tão boa que chega a exagerar na ingenuidade, a segunda vive para fazer maldades. As personagens retratam estereótipos comuns nas novelas de antigamente. Talvez por isso, tais perfis acabem soando tão caricatos em um folhetim que se passa nos dias de hoje.
O que não tira o mérito de Angela e Thais. Ao longo dos capítulos, as atrizes demonstram entrosamento e segurança em cena. Protagonizam, inclusive, inúmeras sequências emocionantes. Principalmente, as que traduzem a temática central da mãe que faz tudo por seus filhos, mas é desprezada por eles. Dentro dessa proposta mais carregada de tintas da novela, Thais sabe aproveitar bem o posto de vilã e parece ter incorporado as maldades de Rosália. A ponto de ser quase possível sentir pena de Xepa e raiva da filha desnaturada.
Já Luiza Tomé e Maurício Mattar, a Meg e o Júlio César da história, não tiveram o mesmo encontro. Tidos como grandes apostas da novela, os dois passaram "batido" e se mantêm discretos, apesar de encarnarem personagens centrais no folhetim. Enquanto isso, Emilio Dantas, que vive Benito, cresceu ao lado de Thais na pele de um rapaz que também é desprezado por Rosália. Até então vivendo papéis periféricos, o ator mostrou que pode ir além.
Com uma temática predominantemente cômica e leve, o principal drama da novela fica mesmo por conta dos conflitos familiares da personagem-título. Falta, contudo, a figura forte de um par romântico para o qual se possa torcer. Mesmo assim, Dona Xepa chega em sua reta final sem cometer grandes pecados. A novela de Gustavo Reiz é simpática e divertida. Só que, ao longo dos quatro meses em que ficou no ar, não construiu uma identidade própria e cometeu deslizes em seu acabamento. A produção, que exibe seu último capítulo nesta terça-feira (24), está longe de ser um fracasso – chegou a alcançar 11 pontos, índice satisfatório para os padrões da Record. Mas dificilmente permanecerá na memória dos telespectadores.