Carol Marra, de Dona de Mim, reflete sobre padrão estético: 'Me arrependo de procedimentos'
Em entrevista à Contigo! Novelas, ela ainda reforça a importância da diversidade e detalha sua nova era no audiovisual brasileiro, brilhando em Dona de Mim
Um dos destaques de Dona de Mim (Globo), a atriz Carol Marra festeja uma nova era no audiovisual brasileiro, com mais respeito às diferenças e à diversidade. Confira a entrevista da artista à Contigo! Novelas na íntegra.
Qual a sensação de ocupar esse lugar de atriz de novela e ser exemplo para tantas outras mulheres?
Não gosto de ser exemplo. Sou um ser humano como qualquer outro: também tenho as minhas falhas, minhas dores, mas sei que é importante. É uma novela que traz uma representatividade muito grande, um elenco diverso de pessoas pretas, PCDs, trans... Fico muito feliz de fazer parte desse elenco tão colorido. Durante alguns meses, eu era a única mulher trans no ar. E agora estreou a novela das 9, que tem a Gabriela Loran fazendo lindamente um papel. Estou muito feliz por ela. Sinto que a televisão tem aberto espaço para essa diversidade da vida. E a TV Globo tem feito isso com maestria. É bonito de ver.
Como percebe esse movimento de mais abertura para artistas trans na mídia brasileira?
É extremamente importante. Finalmente, o audiovisual está dando oportunidade. Se a gente for pensar na Grécia Antiga, os atores não tinham sexo. Na verdade, os homens faziam papéis masculinos e femininos. É muito importante essa pluralidade de corpos sendo representados. E fazer parte disso é gratificante. Infelizmente o brasileiro não tem muita memória, mas já fiz muitas coisas lá atrás. Mas eram outros tempos, em que não tínhamos as forças das redes sociais para impulsionar.
Qual o peso de retratar personagens trans sem necessariamente focar nas dores tão exploradas?
Toda vez que uma trans era representada no audiovisual, era aquela história: uma prostituta ou uma cabeleireira. Não desmerecendo essas profissões. Mas eles representavam as personagens de uma forma caricata. Me lembro que, em Quanto Mais Vida, Melhor!, eu era uma mulher cis. O ator empresta seu corpo para contar uma história. Nessa, em especial, a Natália é uma mulher trans. Na trama, isso não é explorado. É uma moça que está ali trabalhando com dignidade. É uma menina batalhadora, divertida.
Quais as dificuldades para chegar até aqui?
Nunca peguei o "não" e recuei. Eu sempre peguei aquilo como um impulso para correr atrás de um próximo sim. E quantos nãos a gente recebe na vida? Não só eu, qualquer outra pessoa, de qualquer profissão ou sexualidade. Não podemos esmorecer e desanimar com os nãos que recebemos. Não fico ali parada, vou atrás do meu próximo sim. A vida é feita de batalhas. E nós temos que vencer essas batalhas. E isso é que nos torna fortes, e que nos torna confiantes. Que venha um próximo desafio. Que venha um próximo não, para a gente correr atrás de um próximo sim. É isso que nos motiva a correr atrás dos nossos objetivos, dos nossos sonhos, e batalhar por eles.
Como suas ideias em torno da feminilidade se transformaram com o passar do tempo?
Acho que hoje o feminino está muito mais na coisa sutil e não mais naquela coisa de ter um cabelão, um quadril grande, uma unha enorme. Hoje eu prezo por uma beleza mais natural. As mulheres estão buscando hoje uma beleza mais natural. E não aqueles padrões repetidos: todo mundo com aquele bocão, peitão. Me arrependo de muitos procedimentos que eu já fiz e vários que eu tentei reverter. Alguns são irreversíveis. A gente tenta tirar, mas eles não saem cem por cento. A minha visão sobre o feminino hoje é bem diferente do que eu tinha alguns anos atrás.
Você comentou em entrevista que está noiva há nove anos e sonha em ser mãe. Como estão os planos para o casamento e essa eventual maternidade?
Como toda mulher, eu sonho em ser mãe, em ter minha família, em dar continuidade à minha história; que meus filhos olhem para trás e pensem: 'poxa, que legal', 'foi minha mãe', 'uma desbravadora', 'a primeira mulher trans a dar um beijo numa telenovela', que foi o meu caso. Que desfilei quando começou essa abertura, anos atrás, quando não existiam mulheres trans nas passarelas. Eu fui uma das primeiras aqui no Brasil. Eu quero que o meu filho tenha esse orgulho de mim.
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