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Novela 'A Indomada' completa 15 anos; relembre

11 fev 2012 - 08h01
(atualizado às 08h20)
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Geraldo Bessa

Alfinetar a realidade misturando histórias fantasiosas e o cotidiano de uma fictícia cidade do interior foram o ponto de partida de algumas novelas assinadas por Aguinaldo Silva nos anos 90. Com personagens inspirados no realismo fantástico de Dias Gomes, o autor retratou embates políticos na Resplendor de Pedra Sobre Pedra, em 1992, assim como mostrou a ambição cega da população de Tubiacanga, em Fera Ferida, de 1994. Com o gênero ainda em alta, mas sem querer se repetir, Aguinaldo voltou às cidades interioranas em 1997 com A Indomada, mas de um jeito diferente.

A política e a avareza humana estavam presentes. No entanto, a grande crítica embutida na trama ambientada na cidade de Greenville - localizada na região litorânea de Pernambuco - era direcionada à influência da cultura e costumes ingleses e norte-americanos no mundo. "A Indomada me deu muitas felicidades. Para minha surpresa, o telespectador embarcou mais uma vez na história. E expressões como 'Oxente, my god' e 'Tudo all right' tomaram as ruas", relembra o autor, que escreveu a novela em parceria com Ricardo Linhares.

Com cenários que aglutinavam a arquitetura britânica e o Nordeste brasileiro, e palavras em inglês faladas com sotaque desbragadamente nordestino, a novela contava a história da corajosa Helena, de Adriana Esteves, que depois de anos estudando na Europa, volta à Greenville para assumir a fortuna de sua família, comandada por seu tio, o covarde Pedro Afonso, de Cláudio Marzo. "A volta da Helena não mexe só com as histórias da sua família, mas com toda a cidade", explica Ricardo Linhares.

Viciado em jogos de cartas, Pedro perdeu todos os bens do clã para o misterioso Teobaldo Faruk, de José Mayer. Faruk, sempre foi apaixonado por Eulália, irmã de Pedro - também interpretada por Adriana Esteves, na primeira fase da trama -, uma jovem inocente que acaba engravidando do cortador de cana Zé Leandro, de Carlos Alberto Riccelli. Dessa relação nasce Helena, a quem Faruk promete o patrimônio da família assim que ela se tornasse maior de idade e retornasse ao Brasil. "Estava me sentindo mais segura como atriz. Por isso, lembro com muito carinho desse trabalho. Era uma personagem forte e independente, mas que tinha medo de amar. Uma delícia de fazer", conta Adriana Esteves.

Helena e Faruk acabam se envolvendo, mas no meio desse romance e da posse dos bens, está Altiva, a inescrupulosa mulher de Pedro Afonso, de Eva Wilma. Uma vilã com ar de comédia e acima do tom, que se tornou uma das criações mais elogiadas de Aguinaldo e inesquecível na extensa e diversificada carreira de Eva. "Eu e Aguinaldo nos comunicamos sem conversar, somente através do texto. A Altiva deu certo porque o material que ele oferecia para mim, como atriz, era muito interessante. Me instigava", elogia Eva, que atualmente dá vida à interesseira Tia Íris, personagem de Fina Estampa, que mais parece uma prima próxima da moradora de Greenville. Sem querer abrir mão da fortuna, Altiva alia-se ao corrupto Pitágoras, de Ary Fontoura. Ao mesmo tempo em que Pedro fica cada dia mais íntimo de Zenilda, de Renata Sorrah, a dona do prostíbulo da cidade. "A prostituição foi tratada com muita sensibilidade na novela. E adorava o figurino extremamente rico da Zenilda. Era uma personagem de composição, mas com dilemas naturalistas", ressalta Renata Sorrah.

Além das vilanias cômicas e dos romances, A Indomada também é lembrada pelos personagens misteriosos que movimentaram a trama. Como o Cadeirudo, sujeito que atacava as mulheres da cidade em noites de lua cheia, que para surpresa do público, era a beata Lourdes, de Sônia de Paula. Outras histórias que tiveram repercussão foram a transformação do inocente Emanuel, de Selton Mello, em anjo, e o desaparecimento do delegado Motinha, de José de Abreu, que caiu em um buraco de uma obra inacabada da cidade e foi parar no Japão.

"Era tudo muito engraçado. Depois de ser dado como morto, no dia da missa de sétimo dia, ele aparece com uma gueixa nos braços", diverte-se José de Abreu. Com forte apelo popular, situações absurdas, humor e tramas coerentes com o horário das oito, a novela tornou-se um dos maiores sucessos da década e da trajetória de Aguinaldo.

Zenilda, de Renata Sorrah, era a dona do prostíbulo da cidade. "A prostituição foi tratada com muita sensibilidade na novela", relembrou a atriz
Zenilda, de Renata Sorrah, era a dona do prostíbulo da cidade. "A prostituição foi tratada com muita sensibilidade na novela", relembrou a atriz
Foto: TV Globo / Divulgação
Fonte: TV Press
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