Desenho 'Futurama' volta sete anos depois de sair do ar
- Mauro Trindade
Misterioros são os caminhos do televisor. E, a despeito de toda a onisciência dos departamentos de marketing, ninguém sabe realmente do futuro da TV, na qual mesmo programas mortos e enterrados podem reviver. É o caso de Futurama, desenho animado de Matt Groening - o mesmo criador de Os Simpsons - que entrou no ar pela Fox em 1999 e seis temporadas depois foi cancelado.
Pois a Band resolveu dar nova vida ao cartoon por razões religiosas. Ou quase. Com a saída da grade do Show da Fé, do pastor eletrônico Romildo Ribeiro Soares, ficou um buraco bem no meio do horário nobre da emissora. E que tem sido preenchido com o que de mais barato há no mercado. Ou seja, desenhos animados antigos. Enquanto isso, RR Soares continua em sua tele-envangelização Brasil afora, em um império que inclui rádios, emissoras de TV, gravadora de discos e editora, à imagem e semelhança de seu cunhado, o pastor Edir Macedo, da Record.
A Band já vinha apresentando outro Lázaro contumaz da TV, o ótimo Família Dinossauro. É a estratégia do bom, bonito e barato. Há alguns anos, a Record acertou em cheio ao trazer do céu dos passarinhos o mais maluco deles, o Pica-pau. Atropelava rotineiramente Ana Maria Braga e seu pobre papagaio a um custo de produção que não deveria chegar ao preço do fogão da loura.
Para a alegria da Band, Futurama acaba de ganhar vida nova também nos Estados Unidos. Depois de sete anos no limbo, o canal Fox resolveu dar nova chance ao entregador de pizza Fry, à mulher-ciclope Leela e ao robô cleptomaníaco Bender. O episódio de estreia chamou-se previsivelmente de Renascimento.
Os seis anos no ar de Futurama não foram tão ruins. Muita série de sucesso também não passa daí. Caso de Heroes, que praticamente foi classificada pela imprensa como o feito mais importante da TV após o advento da transmissão a cores. Sumiu como muitas outras, boas ou ruins. No final das contas, a ideia de rede de comunicação diz menos respeito ao que está no ar do que "estar no ar". Na falta de uma política mais criativa e de recursos mais sólidos, a Band investe - pouco - no óbvio. melhor seria se mantivesse as câmaras miradas no jornalismo. Enquanto a Globo alienava-se com Faustão e, mais tarde, a Record ordenhava audiência com A Fazenda, a Band - e a Rede TV! também - realizou a única cobertura e análise das eleições presidenciais dignas de elogio. A eleição de um presidente da República deveria ser assunto obrigatório de toda a televisão e não apenas um bloco entre os programas de domingo. A Band arrasou.
Futurama - Band - Segunda a sexta, às 20h10.