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Chilique de evangélica agita o 'gueto gayzista' de Babilônia

5 jul 2015 - 02h58
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Foto: Alex Carvalho/TV Globo
Foto: Alex Carvalho/TV Globo
Foto: Sala de TV

"Atenção pessoal, ninguém come nada aqui! Tem pó de lésbica na receita. Vai todo mundo virar pederasta!"

A declaração surreal saiu da boca santa de Consuelo, no coquetel de inauguração de um restaurante, no capítulo de sábado (4) de Babilônia.

A personagem da magistral Arlete Salles revoltou-se ao ficar diante de suas novas inimigas, Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathália Timberg), a quem chama de 'fanchonas'.

Numa novela quase sem humor, os destemperos da emergente evangélica ganham aspecto de comédia politicamente incorreta, além de servir como denúncia do radicalismo religioso.

O texto criativo e a interpretação inspirada fazem da coadjuvante uma atração à parte no irregular folhetim das 21h da Globo.

Na cena de dramalhão, Consuelo soltou pérolas de seu inesgotável repertório homofóbico. "Mestra das lésbicas, bruxa da inversão, a pederasta mais famosa do Brasil", debochou, ao enfrentar Teresa.

Mesmo sendo tratada com elegância pela advogada, a religiosa continuou o show de insultos: "Caminhoneira! E não adianta mudar de marcha, eu passo por cima de qualquer jeito".

Em outro momento, Consuelo fez Teresa arregalar ainda mais os olhos: "Mulher com mulher dá jacaré".

Após ouvir tamanhos impropérios, Teresa enfim reagiu: "Ignorância, estupidez, burrice é o que a senhora representa hoje, agora, aqui, com muita fartura". Consuelo foi retirada do restaurante sob a ameaça de enfrentar a polícia e um processo por discriminação.

Já em casa, ela disse à família sentir orgulho de ter sido expulsa do 'gueto gayzista' e chamou Rafael (Chay Suede), filho do casal de senhoras, de 'ateuzinho lésbico'.

Ela não aceita que o namorado de sua neta, Laís (Luisa Arraes), seja um incrédulo e conviva com duas mães homossexuais. Por fim, a evangélica ficou temerosa de que o escândalo prejudique seu projeto de virar uma celebridade.

Pela sinopse de Babilônia, Consuelo já seria uma figura intolerante. Contudo, ficou ainda mais antiliberal após a reação negativa desencadeada pelo beijo gay entre Teresa e Estela, logo no primeiro capítulo.

Desde então, os autores usam a personagem para criticar e ridicularizar a parcela de público identificada como conservadora e preconceituosa.

Porém, ainda que tenha se tornado uma vilã reacionária e extremista, Consuelo não deixa de ter certo carisma.

E, apesar do comportamento tresloucado, ela é mais verossímil e dramaturgicamente interessante do que a maioria dos demais personagens da novela.

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