A Regra: lésbicas aparecem e gay enrustido vai se revelar
Estavam com saudade de polêmica gay? Acalmem-se, ela está de volta. Ou será que desta vez a relação homoafetiva de personagens de novela passará incólume pelo julgamento do público?
No capítulo de sexta-feira (18) de A Regra do Jogo, os telespectadores conheceram o casal Úrsula e Duda, interpretado por Júlia Rabello e Giselle Batista, respectivamente.
Na chegada ao apartamento de seu pai, o bon vivant Feliciano (Marcos Caruso), Úrsula apresentou a namorada à família — e, de cara, experimentou a reprovação da irmã, Dalila (Alexandra Richter).
"Não acredito que o senhor vai apoiar essa pouca vergonha", reclamou a dondoca com o liberal patriarca. "Para de ser louca, mãe, tô cheia de amiga lésbica", retrucou a filha dela, Luana (Giovanna Lancellotti).
Superado o clima tenso inicial, Úrsula e Duda foram convidadas a morar no amplo e decadente apartamento (naquela família de encostados, sempre cabe mais um, ou dois) e foram abraçadas pelos parentes.
O autor João Emanuel Carneiro construiu uma cena na qual a tolerância venceu o preconceito, representado pela figura reacionária de Dalila. Discretas e femininas, Úrsula e Duda não terão uma trama dramática. Estão no núcleo que pretende ser o mais cômico da novela.
O novo casal de mulheres da teledramaturgia da Globo surge na ressaca da rejeição às personagens de Fernanda Montenegro e Nathália Timberg em Babilônia, folhetim anterior.
O beijo na boca de Teresa e Estela, logo no primeiro capítulo, provocou uma celeuma e acabou apontado, exageradamente, como 'culpado' pela fuga expressiva do público.
"Neste momento, todo mundo está num palanque: nós estamos ouvindo todos. Ainda mais pela internet. Não eram só os homossexuais que estavam no armário. De uma certa forma o país estava em armários", desabafou Fernanda, em entrevista a Roberto D´Avila, na GloboNews.
O malvadão
Depois de Úrsula e Duda, A Regra do Jogo terá em breve seu personagem gay masculino. Na verdade ele já está em cena, mas bem disfarçado.
Orlando (Eduardo Moscovis) tem vida dupla: empresário bem sucedido é a fachada para as atividades como um dos conselheiros de uma facção criminosa.
A duplicidade também acontece na vida íntima: aparentemente hétero, ele logo será visto com um amante mais jovem, a quem sustenta com dinheiro ganhado na bandidagem.
Para manter as aparências, Orlando continuará investindo na tresloucada Nelita (Bárbara Paz). Instável e carente, ela é perfeita para o papel de esposa manipulada.
Além disso, a artista plástica com transtorno de personalidade é herdeira do milionário Gibson Stewart (José de Abreu), e dinheiro nunca é demais.
A trama de Orlando pode até lembrar a de Félix (Mateus Solano), o vilão gay de Amor à Vida que caiu no gosto popular (aliás, lá também era Bárbara Paz quem interpretava a mulher casada com gay, Edith).
Porém o tipo vivido por Eduardo Moscovis é bem mais perigoso: já matou a sangue frio e mostrou ser capaz de qualquer monstruosidade em nome da ambição.