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Afonso Mônaco deixa valiosas lições às novas gerações de repórteres na TV

Especializado em assuntos policiais, jornalista vítima de câncer teve o celular espionado por agentes do governo Bolsonaro

13 abr 2024 - 15h45
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O avanço do tempo leva veteranos com relevante legado no jornalismo. Chegou a vez de Afonso Mônaco. Um dos mais importantes repórteres investigativos do país, ele morreu aos 78 anos, vítima de câncer, na sexta-feira (12). 

Funcionário da Record havia duas décadas, estava afastado do ‘Domingo Espetacular’ justamente para tratar o problema de saúde. Deixa mulher, dois filhos e dois netos. 

A carreira profissional de Mônaco começou aos 17 anos, como químico no laboratório da empresa Johnson & Johnson. Bateu cartão também na Pirelli. Chegou a cursar Engenharia, mas abandonou após o primeiro semestre. 

Um amigo que estudava Comunicação na USP o influenciou a querer entrar na mesma universidade. Passou para Ciências Sociais. Tinha o objetivo de entender as mudanças políticas naquele início da década de 1970, com o Brasil sob regime militar. 

O curso de Humanas despertou o desejo de ser jornalista. Começou como produtor, mas logo se viu diante de uma câmera e segurando o microfone. Em 2023, completou 50 anos na área, sempre em televisão. Destacou-se em matérias especiais no ‘Fantástico’, da Globo. Atuou ainda na Band e TV Cultura.

Sua especialidade eram as pautas policiais e de segurança pública. Conduzia o tema com rigor na apuração dos fatos e sem nenhum sensacionalismo. A voz aguda associada à dicção perfeita serviram bem às reportagens. 

Em 2004, Mônaco foi contratado pela Record. Tornou-se o primeiro repórter especial do ‘Domingo Espetacular’ e estava entre os poucos remanescentes da primeira turma da atração dominical. 

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o repórter foi monitorado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Seu celular era rastreado por um programa israelense de espionagem. 

Entrevistado em um canal de YouTube, ele comentou o que é fundamental a um bom repórter. “Ler, ler, ler. Comece entendendo bem a sua língua. Quem lê, escreve bem, e é fundamental fazer seu texto.”

"Fica a lembrança do amigo sempre respeitado pela competência e integridade e sobretudo pelo carisma e admiração dos colegas", postou no X (antigo Twitter) Celso Freitas, primeiro apresentador do 'Domingo Espetacular'.

Afonso Mônaco marcou seu nome na história do jornalismo investigativo na TV
Afonso Mônaco marcou seu nome na história do jornalismo investigativo na TV
Foto: Reprodução/Record
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