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Racionais atrasa, faz show explosivo e encerra Lollapalooza

9 abr 2012 - 01h32
(atualizado às 03h13)
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Renato Beolchi
Direto de São Paulo

O mais paulistano grupo musical em atividade colocou ponto final na primeira edição do Lollapalooza Brasil, que aconteceu neste sábado e domingo (7 e 8) no Jockey Club de São Paulo. Com uma hora de atraso, o Racionais MCs ignorou a predominância do rock e da língua inglesa dos headliners internacionais e, com o sotaque da periferia e a batida do rap, encerrou o evento em um show explosivo.

Os Racionais MC's atrasaram uma hora para começar seu show neste domingo (8), mas fizeram uma apresentação explosiva
Os Racionais MC's atrasaram uma hora para começar seu show neste domingo (8), mas fizeram uma apresentação explosiva
Foto: Fernando Borges / Terra

O show, marcado para as 20h45 atrasou 60 minutos. Nenhuma explicação para o atraso foi dada. Mas, a saber o histórico rebelde do grupo capitaneado por Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e o DJ KL Jay, os motivos podiam ser muitos: descaso com o público que não faz parte do predileto do grupo; perfeccionismo musical com o som que vinha do Palco Butantã (que recebia o show de Jane's Addiction).

O atraso deu tempo para que a Tenda do Perry, local do show, lotasse e esvaziasse nesses 60 minutos. Sobraram vaias, gritos de protesto, ameaças de motim e, finalmente, veio o conformismo com o atraso. Enquanto isso dois DJs despejavam batidas de rap no público.

Finalmente, às 21h45, uma caveira estampou o telão no fundo do palco, e a iluminação fez surgir uma faixa com as inscrições "Racionais" e "Cia KL Jay". Uma trupe de cerca de 20 pessoas tomou o palco de microfone em punho e roupas pretas. A voz de Mano Brow anunciou os primeiros versos de Artigo 157, do último álbum de estúdio do grupo, Nada Como Um Dia Após O Outro Dia, de 2002.

A próxima faixa passou para o comando de Edy Rock que cantou Rapaz Comum, do disco Sobrevivendo no Inferno (1997), registro que catapultou o Racionais ao estrelato e unanimidade.

A seguir, o telão passou a exibir fotos de personalidades negras como o cantor Bob Marley, o jornalista americano Mumia Abu-Jamal (que está no corredor da morte condenado em um polêmico julgamento de assassinato de um policial) e do ativista Malcolm X. Negro Drama casou as imagens com o protesto da letra, dividida com Mano Brown.

Na sequência, Expresso Da Meia-Noite, (também comandada por Edy Rock) 1 Por Amor, 2 Por Dinheiro (que ganhou uma base diferente da versão original gravada no álbum de 2002) e Vida Loka Parte 1 (cantada em uníssono pelo público da tenda que abriu mão do show do Arctic Monkeys no distante Palco Cidade Jardim).

A grande surpresa da noite veio em seguida com That's My Way, faixa inédita que estará no álbum solo de Edy Rock e gravada em parceria com Seu Jorge. Em seguida a trinca Cores e Valores, Marighella (também uma produção solo - esta de Mano Brown) e Tá Na Chuva (faixa lançada em 2009, mas que ainda não entrou em nenhum disco).

Discurso ameno

O Mano Brown de discurso ácido, indigesto e violento nas palavras mudou. Se há alguns parecia inconcebível que o Racionais se apresentasse em um festival voltado à classe média, a fala de Brown é agora conciliadora, madura. Nos discursos dos intervalos das músicas trocou o desprezo pelos "playboys" pela tolerância.

Deu a entender que o ódio de outrora pelos mais abastados deu lugar a uma aparente aceitação da situação - que não significa, segundo suas próprias palavras, que entregou os pontos nessa batalha. E assim emendou em uma defesa política do governo federal do PT, em especial do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) amigo pessoal de Brown. Para finalizar apostou suas fichas em um crescimento brasileiro. "Quero ter saúde para receber minha parte de todo esse dinheiro que o Brasil vai ganhar".

Sequência final

O encerramento do show voltou a incendiar o público como o grupo fez no começo. Quase emendadas, as batidas ritmaram Jesus Chorou, A Vida É Desafio, Um Homem Na Estrada (única faixa representante do disco Raio-X do Brasil de 1993) e Vida Loka Parte 2. Uma hora e quinze minutos após começar, o Racionais se despediu e encerrou o festival de rock nascido nos EUA com um preceito cantado à exaustão pelo grupo: da ponte pra cá.

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Fonte: Terra
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