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Quem é Chloé Malle, a franco-americana que vai substituir Anna Wintour na direção da Vogue

Após meses de especulações e rumores, o nome da nova diretora da edição norte-americana da revista Vogue foi divulgado nesta terça-feira (2). A franco-americana Chloé Malle vai substituir Anna Wintour no comando da publicação, assumindo um dos cargos mais importantes da indústria da moda.

2 set 2025 - 15h30
(atualizado às 15h39)
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Após meses de especulações e rumores, o nome da nova diretora da edição norte-americana da revista Vogue foi divulgado nesta terça-feira (2). A franco-americana Chloé Malle vai substituir Anna Wintour no comando da publicação, assumindo um dos cargos mais importantes da indústria da moda.

A franco-americana Chloé Malle (dir.) assume a direção editorial da Vogue americana no lugar de Anna Wintour.
A franco-americana Chloé Malle (dir.) assume a direção editorial da Vogue americana no lugar de Anna Wintour.
Foto: Evan Agostini/Invision/AP - Evan Agostini / RFI

Silvano Mendes, da RFI, em Paris

Chloé Malle sucede Anna Wintour na direção editorial da Vogue US, anunciou o grupo Condé Nast, proprietário da revista. "Malle será responsável pela direção criativa e editorial do título e integrará a equipe de liderança composta por dez responsáveis de conteúdo editorial em escala global, sob a autoridade de Anna Wintour. Sua nomeação tem efeito imediato", informou o comunicado.

O anúncio da saída de Wintour, feito em junho, causou grande repercussão. Ícone da moda e inspiração para a personagem principal do filme "O Diabo Veste Prada", Wintour, de 75 anos, comandava a redação da Vogue US há 37 anos. Conhecida como a "papisa da moda", com seus inseparáveis óculos escuros, ela continuará à frente da marca em nível internacional e certamente manterá uma certa influência na Vogue, como ainda é o caso nas edições da publicação em outros países. 

Chloé Malle, de 39 anos, entrou para a Vogue US em 2011 e ocupava desde 2023 o cargo de diretora editorial do site Vogue.com. Desde 2022, também apresentava um podcast da revista. "Sob sua liderança, o tráfego direto para o site dobrou e houve crescimento de dois dígitos em todos os indicadores-chave (...), especialmente em torno de eventos como o Met Gala e o Vogue World", destacou a Condé Nast.

"Estou ansiosa para me envolver ainda mais nas áreas de edição, vídeo e eventos — incentivando a pluralidade multiplataforma que nosso público busca e exige", comentou Chloé Malle.

A nova diretora da Vogue US não vem inicialmente de uma família ligada ao mundo da moda ou do jornalismo — ao contrário de Anna Wintour, filha do renomado jornalista britânico Charles Wintour, e que passou por várias revista antes de pilotar a Vogue. Ainda assim, há quem veja sua nomeação como mais um caso de "nepo baby" - neologismo usado para a contratação de filhos de celebridades.

Seus pais não atuaram na moda, mas estão longe de serem desconhecidos. Seu pai é o cineasta francês Louis Malle, mundialmente famoso por filmes como "Elevador para o Cadafalso". O diretor vencedor da Palma de Ouro em Cannes (1956) também foi indicado três vezes ao Oscar.

Diversas vezes, seus filmes causaram polêmica e o levaram a se mudar para os Estados Unidos no início dos anos 1980, onde se tornou uma figura influente. Foi lá que, entre filmagens com Brooke Shields, Burt Lancaster e Michel Piccoli, conheceu sua futura esposa, a atriz americana Candice Bergen, conhecida por filmes como "A Canhoneira do Yang-Tsé" e "Viver para Viver", de Claude Lelouch. Chloé Malle nasceu dessa união, em 1985.

Candice Bergen também atuou, indiretamente, no mundo da moda. Em três episódios da série "Sex and the City, no início dos anos 2000, ela interpretou o papel de Enid Frick, editora-chefe da revista Vogue, cargo equivalente ao que assume a filha a partir de agora. O personagem foi retomado na continuação da série, "And Just Like That".

Ao ser questionada pelo influência de seus pais em sua nomeação, Chloé Malle diz apenas ter orgulho de sua família, mas não se esquiva. "Não há dúvida de que me beneficiei 100% do privilégio em que cresci", reconhece a mãe de dois filhos. "Dito isso, sempre senti que isso me impulsionava a trabalhar muito mais (...) para provar que eu era mais do que a filha de Candice Bergen ou alguém que cresceu em Beverly Hills", acrescenta.

Carreira fulminante

A nova diretora da Vogue cresceu nos Estados Unidos antes de ingressar brevemente na Sorbonne, em Paris, após o ensino médio. Logo depois, entrou na Universidade Brown, uma das instituições da prestigiada Ivy League, onde estudou literatura comparada.

Chloé Malle — que inicialmente pensava em seguir carreira na área de saúde pública — fez um estágio no New York Observer, onde se tornou redatora, entre 2009 e 2011. Em seguida, atuou como freelancer para diversas publicações norte-americanas, antes de integrar a redação da Vogue como responsável pelas redes sociais. Ao longo de sua trajetória na publicação do grupo Condé Nast, acumulou funções, atuando tanto na versão impressa quanto digital, nos podcasts e nas redes sociais. Criou o podcast The Run-Through with Vogue e abordou diversas temáticas, com destaque para casamentos. Ela ficou conhecida por sua cobertura de matrimônios de celebridades como, recentemente, o do bilionário Jeff Bezos com Lauren Sanchez.

Concorrência e desafios

Anna Wintour tinha várias opções à disposição — pelo menos quatro nomes foram cogitados. Entre eles, Eva Chen, editora e atualmente encarregada das parcerias de moda no Instagram; Sara Moonves, editora-chefe da W Magazine; Nicole Phelps, diretora global da Vogue Runway; e Chioma Nnadi, coapresentadora do podcast de Chloé Malle.

Mas Wintour escolheu a franco-americana, a quem não poupou elogios. "Chloé provou diversas vezes que sabe equilibrar a longa e singular história da Vogue americana com seu futuro na linha de frente da inovação", declarou.

Chloé Malle assume um dos cargos de maior visibilidade da moda com grandes desafios pela frente. O principal deles é reconquistar o interesse das novas gerações pela revista. As publicações impressas vêm perdendo espaço para fontes digitais de informação — e com a moda não é diferente.

Embora a Vogue, criada em 1892 como vitrine da alta sociedade americana antes de se tornar uma referência em estilo desde o início do século XX, ainda mantenha sua reputação, os hábitos de consumo mudaram. Hoje, influenciadores digitais muitas vezes têm mais impacto que críticas especializadas.

Vogue, no entanto, já vinha se transformando antes da nomeação de Chloé Malle. Há anos, a revista diversifica suas atividades, organiza eventos e cria produtos derivados. A própria realização do Met Gala, evento anual realizado pelo Metropolitan Museum de Nova York, é há anos responsabilidade da equipe de Anna Wintour na Vogue.

Wintour também soube usar como poucos a reputação da revista para se tornar uma figura influente entre os grandes nomes da indústria. Sua opinião foi decisiva na escolha de diretores artísticos de marcas globais, e sua lista de contatos, como na ficção, vale ouro.

Resta saber se Chloé Malle conseguirá seguir os passos da antecessora e manter a Vogue como a principal publicação de moda do mundo.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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