'O Agente Secreto' faz história: Brasil vence Critics' Choice e abre temporada de prêmios de 2026
O Brasil conquistou dois títulos inéditos no 31º Critics' Choice Awards, a premiação da maior associação de críticos de cinema na América do Norte. "O Agente Secreto" ganhou como Melhor Filme Estrangeiro e o paulista Adolpho Veloso recebeu o prêmio de Melhor Fotografia por "Sonhos de Trem", produção norte-americana da Netflix. A festa aconteceu em Santa Monica, na Califórnia.
Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles
Essa foi a primeira vez que uma produção e artistas brasileiros levaram para casa estatuetas em 31 anos dessa premiação, considerada a mais importante dada por críticos de cinema nos Estados Unidos. Outros filmes nacionais já concorreram; "Ainda Estou Aqui", por exemplo, foi indicado no ano passado, mas não venceu o prêmio. Isso faz com que "O Agente Secreto" saia na frente, já que os Critics' Choice Awards abriu a temporada de premiações de 2026.
Mas o que repercutiu muito nas redes sociais e também entre os convidados foi o fato do prêmio ter sido entregue a Kléber Mendonça Filho no tapete vermelho, e não no palco. A situação foi vista por muitos como um gesto de desprestígio e desrespeito às produções internacionais. Isso ocorre em algumas categorias, já que a cerimônia é longa.
No final da festa, Kléber falou com a RFI.
"Essa vitória faz parte de um movimento que começou em Cannes e agora temos a primeira premiação de 2026. Lamento muito que o prêmio tenha sido dado no tapete vermelho, mas enfim, foi dado. A gente está muito feliz com a repercussão internacional e no Brasil também", contou o diretor de "O Agente Secreto".
O paulista Adolpho Veloso também começou com tudo essa temporada e tudo indica que vai garantir uma indicação ao Oscar.
"Foi realmente uma surpresa; eu não estava esperando, totalmente chocado e muito feliz", disse o diretor de fotografia de "Sonhos de Trem".
Palco no final
Já no final da festa, Kléber Mendonça Filho e Wagner Moura subiram ao palco para entregar o prêmio de Melhor Filme ao grande vencedor da noite, "Uma Batalha após a Outra". Aproveitaram também para agradecer pelo troféu de Melhor Filme Estrangeiro.
Wagner Moura concorria em duas categorias: Melhor Ator, por "O Agente Secreto", e Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie, por "Ladrões de Drogas". Os prêmios, no entanto, ficaram com Timothée Chalamet, por "Marty Supreme", e Owen Cooper, pela série "Adolescência", respectivamente.
Domingo que vem tem Globo de Ouro
Assim como no Critics' Choice Awards - onde o Brasil teve quatro indicações, um recorde -, o Globo de Ouro deste ano também colocou o país em um patamar inédito. "O Agente Secreto" recebeu três indicações, outro recorde: Melhor Filme de Drama (categoria principal), Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Drama para Wagner Moura.
Esta foi a primeira vez que um ator brasileiro recebeu indicação a Melhor Ator em Drama - tanto no Globo de Ouro quanto no Critics' Choice. A associação de críticos tem, em sua grande maioria, membros norte-americanos, já o Globo de Ouro é formado por jornalistas internacionais que acabam dando grande valor a produções e artistas de língua não-inglesa, sem falar também que, dos cerca de 400 membros do Globo de Ouro, 38 são brasileiros.
O Globo de Ouro acontece no dia 11 de janeiro, em Beverly Hills, na Califórnia.
Termômetro do Oscar?
Quem vota no Oscar não são as mesmas pessoas que votam no Critics' Choice nem no Globo de Ouro. Mas essas premiações tendem a influenciar as narrativas da temporada. Vencer ou mesmo se destacar nelas costuma impulsionar campanhas, atrair a atenção da mídia e consolidar favoritismos. Não é incomum que performances premiadas no Globo de Ouro ganhem fôlego decisivo rumo às indicações e vitórias no Oscar. Foi o que aconteceu em 2025, quando Fernanda Torres venceu como Melhor Atriz no Globo de Ouro, atraiu atenção e garantiu indicação ao Oscar.
Nesse contexto, a presença forte do Brasil nessas premiações logo no início da temporada de prêmios amplia a visibilidade de "O Agente Secreto" e de Wagner Moura no mercado internacional, fortalece o discurso de campanha e posiciona o audiovisual brasileiro de forma estratégica. Independentemente dos resultados, o momento já é de consolidação, principalmente por estar neste segundo ano consecutivo de destaque, depois do grande sucesso de "Ainda Estou Aqui", que, além de levar dezenas de prêmios, ganhou o Oscar de Melhor Filme Internacional.
Destaque
Comparando com esta mesma época no ano passado, o destaque de "O Agente Secreto" é significativamente maior do que o de "Ainda Estou Aqui" na temporada anterior. Enquanto o filme de Walter Salles ganhou força após o Globo de Ouro, "O Agente Secreto" já chega muito mais presente na conversa desde o início da campanha, com forte participação nas principais premiações e no radar da imprensa norte-americana.
O mesmo vale para Wagner Moura, que já era conhecido em Hollywood. Diferentemente de Fernanda Torres no ano passado, cujo reconhecimento explodiu sobretudo após a vitória no Globo de Ouro, Wagner vem estampando capas de importantes publicações e participando de entrevistas estratégicas, o que amplia sua visibilidade e consolida seu nome na disputa desde as primeiras etapas da corrida por estatuetas.