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Que loucura, Ilhas Diomedes: o lugar do mundo onde você pode viajar no tempo caminhando 4 km

Em pleno estreito de Bering, entre o Alasca e a Sibéria, existe um par de ilhas que desafia a intuição de quem pensa em tempo e fronteiras apenas em termos de relógio e mapa político. Conheça as Ilhas Diomedes.

15 fev 2026 - 07h32
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Em pleno estreito de Bering, entre o Alasca e a Sibéria, existe um par de ilhas que desafia a intuição de quem pensa em tempo e fronteiras apenas em termos de relógio e mapa político. Afinal, as Ilhas Diomedes, separadas por pouco mais de 4 quilômetros de mar gelado, estão no centro de uma situação em que atravessar uma curta distância pode significar "viajar" quase um dia no calendário. Nesse cenário, a geografia se cruza com a política internacional e com a forma como o planeta organiza as horas.

As duas ilhas formam um microcosmo onde se encontram os limites territoriais de Estados Unidos e Rússia e, ao mesmo tempo, a famosa Linha Internacional de Data. O que à primeira vista parece apenas um ponto remoto no mapa revela, na prática, como o mundo adotou convenções para marcar o tempo. Entre uma margem e outra, não há apenas gelo e água. Isso porque existe uma diferença de até 21 horas entre os relógios locais. Portanto, isso cria a impressão concreta de estar em dias diferentes, embora os territórios sejam praticamente vizinhos.

A ilha maior, conhecida como Big Diomede, é administrada pela Rússia e, em russo, recebe o nome de Ilha Ratmanov – Ansgar Walk/Wikimedia Commons
A ilha maior, conhecida como Big Diomede, é administrada pela Rússia e, em russo, recebe o nome de Ilha Ratmanov – Ansgar Walk/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Onde ficam as Ilhas Diomedes e quem controla cada uma?

As Ilhas Diomedes localizam-se no estreito de Bering, região que conecta o oceano Pacífico ao oceano Ártico e separa a América do Norte da Ásia. A menor, chamada em inglês de Little Diomede, pertence aos Estados Unidos e integra o estado do Alasca. A maior, conhecida como Big Diomede, é administrada pela Rússia e, em russo, recebe o nome de Ilha Ratmanov. Entre as duas, corre a fronteira marítima oficialmente reconhecida pelos dois países.

Apesar da proximidade física, a realidade em cada ilha é bem diferente. Little Diomede abriga uma pequena comunidade indígena, com uma população reduzida e infraestrutura básica. Já Big Diomede não tem habitantes permanentes civis. Assim, sua presença é essencialmente militar e científica. Essa configuração reforça o caráter estratégico da área, utilizada historicamente como ponto de vigilância e de monitoramento durante o período da Guerra Fria. Ademais, ainda é relevante em termos geopolíticos.

Por que as Ilhas Diomedes têm quase um dia de diferença no relógio?

A explicação para a diferença de até 21 horas entre as ilhas começa na Linha Internacional de Data, um traçado imaginário que atravessa o Pacífico seguindo, em grande parte, o meridiano de 180°. Essa linha funciona como um divisor de dias: ao cruzá-la, avança-se ou volta-se um dia no calendário. Big Diomede, do lado russo, está situada no hemisfério oriental, enquanto Little Diomede, sob domínio norte-americano, fica no hemisfério ocidental.

Em teoria, a discrepância natural entre fusos horários a partir de Greenwich seria de 24 horas. No entanto, ajustes políticos e econômicos definidos por cada país aproximam Rússia e Alasca em alguns horários, resultando em uma diferença real de cerca de 20 a 21 horas entre as duas ilhas. Assim, quando é manhã de um dia em Little Diomede, geralmente já é a madrugada do dia seguinte em Big Diomede. É por isso que muitos se referem às ilhas como "A Ilha do Amanhã" (lado russo) e "A Ilha de Ontem" (lado americano).

Como "ganhar" ou "perder" até 21 horas em apenas 4 km?

A ideia de "ganhar" ou "perder" tempo ao se deslocar entre as Ilhas Diomedes está ligada à mudança de data que ocorre ao cruzar a linha imaginária entre elas. Na prática, quem sai da ilha americana em direção à russa está avançando no calendário; quem faz o caminho inverso, está "voltando" quase um dia. Essa diferença não significa alteração física no tempo, mas resulta do modo como o mundo padronizou horários para facilitar comunicação, transporte e comércio.

Alguns exemplos ajudam a visualizar:

  • Se em Little Diomede forem 10h da manhã de terça-feira, em Big Diomede pode ser aproximadamente 7h da manhã de quarta-feira.
  • Um hipotético telefonema saindo do lado russo na "quarta-feira cedo" poderia chegar a alguém na ilha americana que ainda vive a "terça-feira de manhã".
  • Um deslocamento teórico de barco entre as ilhas, feito em poucas horas, faria a pessoa "atrasar" ou "adiantar" o calendário, mesmo permanecendo praticamente na mesma latitude.

Na prática, não existem travessias turísticas regulares, e o estreito costuma congelar no inverno, o que reforça a função simbólica dessa "viagem no tempo". Ainda assim, o fenômeno ilustra com clareza como o tempo civil é uma construção social apoiada em referências geográficas.

A explicação para a diferença de até 21 horas entre as ilhas começa na Linha Internacional de Data, um traçado imaginário que atravessa o Pacífico seguindo, em grande parte, o meridiano de 180° – Walter Holt Rose/Wikimedia Commons
A explicação para a diferença de até 21 horas entre as ilhas começa na Linha Internacional de Data, um traçado imaginário que atravessa o Pacífico seguindo, em grande parte, o meridiano de 180° – Walter Holt Rose/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Quais curiosidades ajudam a entender a relação entre tempo, geografia e política?

A história das Ilhas Diomedes reúne curiosidades que explicam por que esse pedaço remoto do planeta recebeu tanta atenção de geógrafos e historiadores. Alguns pontos chamam a atenção:

  1. Origem do nome: as ilhas foram batizadas em homenagem a São Diomedes, porque um explorador europeu chegou à região em 16 de agosto, data dedicada ao santo no calendário ortodoxo.
  2. "Vizinhas distantes": em dias claros, é possível enxergar uma ilha a partir da outra a olho nu, o que cria a sensação de observar o "amanhã" ou o "ontem" do outro lado do mar.
  3. Divisão durante a Guerra Fria: Big Diomede serviu como posto avançado soviético, enquanto Little Diomede permaneceu sob jurisdição norte-americana, transformando o estreito de Bering em uma fronteira simbólica entre dois blocos políticos.
  4. Limitações de acesso: a área é remota, sujeita a clima extremo e não figura entre destinos turísticos comuns, o que mantém o lugar pouco conhecido do público em geral.

Essas características fazem com que as Ilhas Diomedes sejam frequentemente usadas em reportagens, aulas e materiais de divulgação científica como exemplo concreto de como fusos horários, fronteiras e decisões políticas moldam a percepção de tempo. A combinação de um espaço físico diminuto com um salto de quase um dia no calendário mostra que a contagem das horas não depende apenas da rotação da Terra, mas também de acordos humanos. Assim, em um trecho de mar de pouco mais de 4 quilômetros, a geografia evidencia que o "hoje", o "ontem" e o "amanhã" podem coexistir lado a lado, alterando a forma como se enxerga o próprio tempo.

Giro 10
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