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Por que a Geração Z não quer mais fazer ligações telefônicas

14 fev 2026 - 09h40
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Inventado há 150 anos, telefones nunca foram tão acessíveis. Mas constrangimento e falta de controle sobre a conversa geram ansiedade, sobretudo entre os mais jovens."Sr. Watson, venha aqui, quero falar com você." Com essas palavras, Alexander Graham Bell revolucionou a comunicação. Foram as primeiras palavras a serem transmitidas de forma inteligível a distância, inaugurando a tecnologia da ligação telefônica.

Telefone foi recebido como tecnologia revolucionária há 150 anos, mas hoje cai em desuso
Telefone foi recebido como tecnologia revolucionária há 150 anos, mas hoje cai em desuso
Foto: DW / Deutsche Welle

Em 14 de fevereiro de 1876, Bell pediu a patente de sua invenção, marcando a ascensão da comunicação falada como a principal forma de conexão interpessoal. A comunicação em tempo real e a longas distâncias surpreendia quem a experimentava.

"Uma invenção maravilhosa", escreveu em 1877 o Wichita City Eagle, um jornal do Kansas, descrevendo uma plateia irrompendo em aplausos ao ver uma demonstração do telefone.

Ainda levaria algumas décadas para o telefone entrar na vida cotidiana, tornando possível falar com outras pessoas em praticamente qualquer situação. Ainda assim, para muitos, essa já não é mais a opção de comunicação preferida como antes. Sobretudo entre os jovens, que frequentemente parecem rejeitar a ideia de fazer chamadas de voz.

Do e-mail ao simples SMS, passando por aplicativos de mensagens e mídias sociais, os métodos de comunicação se multiplicaram, e as preferências parecem estar mudando, com o texto e a mensagem sendo cada vez mais populares.

Geração muda

A preferência por mensagens escritas criou a alcunha de "geração muda" para a Geração Z, e às vezes também para os Millennials. Para muitos deles, fazer chamadas por telefone se torna um verdadeiro esforço, provocando ansiedade ou, no mínimo, desconforto.

Embora nem todos os casos sejam graves, o fenômeno está associado ao que pesquisadores chamam de "telefobia", ou seja, o medo de atender telefones ou a ansiedade decorrente de ouvir o telefone tocar.

Segundo uma pesquisa internacional da YouGov de 2023, SMS ou mensagens de texto são os métodos mais populares para comunicação pessoal, com 40% dos entrevistados listando-os como primeira escolha. Ligações por celular ficaram em segundo lugar, com 29%, e ligações por telefone fixo somaram apenas 3%.

As tendências parecem se dividir por linhas geracionais, com os mais jovens se afastando do telefone como primeira opção de contato. A mesma pesquisa apontou que há preferência por mensagens de texto entre pessoas de 18 a 24 anos e por ligações telefônicas, tanto móveis quanto fixas, entre pessoas com 55 anos ou mais.

"Eu diria que são principalmente os jovens que se acostumaram com grande parte da nossa comunicação ocorrendo via mensagens de texto ou mensagens de áudio", explica Lea Utz, uma jovem millennial. Ela apresenta o podcast alemão "Telephobia" ("Telefobia", em tradução livre), no qual ajuda pessoas de todas as idades a fazer ligações telefônicas particularmente difíceis e emocionais.

Controle sobre a comunicação

Os jovens cresceram e se acostumaram com outras formas de comunicação. Estão habituados a poder pensar na escolha das palavras e dos emojis, apagar ou editar mensagens já enviadas e manter controle sobre quando vão ler ou até receber uma mensagem de outra pessoa.

"Aqueles que cresceram com esse tipo de comunicação provavelmente o internalizaram de maneira totalmente diferente das pessoas mais velhas", disse Utz.

Para os jovens, ligar espontaneamente pode até parecer descortês, uma exigência egoísta do tempo do destinatário. Talvez seja por isso que uma pesquisa da Uswitch, do Reino Unido, feita em abril de 2024, tenha constatado que 68% dos jovens de 18 a 34 anos preferem ligações previamente combinadas.

"Se você envia uma mensagem de texto, passa a sensação de: 'Você pode responder quando for melhor para você, não quero te incomodar, talvez você não esteja disponível agora'", diz Utz.

Constrangimento por telefone

Mesmo que os mais velhos sejam mais inclinados a fazer ligações, eles também podem sentir constrangimento e hesitação ao telefonar para alguém. Amit Kumar, professor assistente de Marketing e Ciências Psicológicas e Cerebrais da Universidade de Delaware, estudou as expectativas das pessoas sobre ligações de voz e como estas se comparam aos resultados reais.

Em vários estudos, ele constatou que as pessoas esperam que ligações de voz sejam mais constrangedoras do que a comunicação por texto. A crença parece se manter entre gerações.

"As evidências que temos sugerem que não há diferenças significativas com base na idade dos participantes", disse. Jovens ou idosos, as pessoas acreditam que uma ligação será uma experiência desconfortável. Porém, ele afirma que são necessários mais estudos especificamente focados em idade.

Kumar ressalta que, quanto mais experiência alguém tem em fazer algo, mais precisas suas expectativas se tornam. "Se as pessoas tentarem fazer ligações mais vezes, podem ser mais precisas ao prever o constrangimento. Mas o problema é que, se elas não tentam, não aprendem."

Apesar da ansiedade e do constrangimento associados às ligações, a maioria das pessoas ainda quer ser informada sobre certas coisas por telefone. A pesquisa da Uswitch revelou que 53% dos entrevistados de 18 a 24 anos ficariam ofendidos se não recebessem uma ligação em ocasiões felizes ou importantes, como um noivado ou um nascimento.

Assuntos difíceis também podem ser aqueles que as pessoas preferem tratar por telefone em vez de mensagem, depois que conseguem superar suas reservas para discar.

Fonte de conexão emocional

Os protagonistas de Utz fazem ligações sobre temas profundamente íntimos e pessoais, desde confrontar um agressor da infância até conversar com parentes há muito tempo perdidos ou entrar em contato com um motorista que causou um acidente grave.

"Acho que geralmente está claro para quem liga que isso não é algo que possa ser discutido em uma conversa de texto, por exemplo", diz ela.

Para Utz, uma ligação telefônica é um "ponto ideal" que oferece conexão emocional com segurança e distância. "É uma conexão muito pessoal, mas ao mesmo tempo não é tão emocionalmente exigente quanto um encontro presencial."

Se o objetivo é conexão, uma ligação tem muito a oferecer. "O que descobrimos é que as pessoas realmente formam laços significativamente mais fortes quando interagem por telefone" do que por meio de texto, diz Kumar.

Já as expectativas de constrangimento acabam se revelando em grande parte infundadas. Quando efetivamente fazem ligações, as pessoas não as percebem como mais constrangedoras do que a comunicação por texto.

"Estes custos são meio imaginários. Achamos que vai ser meio estranho falar com alguém ao telefone", explicou. "Quando elas realmente interagem com alguém usando a voz, elas se sentem mais conectadas."

Curiosamente, os estudos de Kumar mostram que chamadas de vídeo não criam laços mais fortes do que chamadas de voz. O poder de conexão ainda parece estar na voz.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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