Paridade de gênero recua na competição pela Palma de Ouro em Cannes
A competição pela Palma de Ouro começou nesta quarta-feira (13), segundo dia do 79° Festival de Cannes. Dois dos 22 filmes selecionados são exibidos e, pelo menos neste primeiro dia da disputa, a paridade de gênero é respeitada. Nesta edição de 2026, apenas cinco filmes realizados por mulheres, dois a menos que no ano passado, concorrem ao prestigioso prêmio do maior festival de cinema do mundo.
Adriana Brandão, enviada especial a Cannes
A disputa pela Palma de Ouro teve início no dia seguinte à noite de abertura do 79° Festival de Cannes, realizada na terça feira (12). A cerimônia foi marcada por um discurso político da apresentadora e atriz franco-maliana Eye Haïdara em defesa do cinema e pela homenagem ao neozelandês Peter Jackson. O diretor da trilogia cult "O Senhor dos Anéis" recebeu uma Palma de Ouro de Honra.
Um filme francês e um japonês dão a largada à competição oficial nesta quarta-feira. A francesa Charline Bourgeois Tacquet apresenta "La Vie d'une Femme" (A Vida de Uma Mulher), sobre uma cirurgiã que vê sua rotina abalada pela chegada ao hospital de uma escritora em busca de inspiração.
"Nagi Notes" ("Alguns Dias em Nagi"), do japonês Koji Fukada, também aborda a relação entre duas mulheres que se transforma de maneira inesperada. Uma escultora que vive no interior recebe a visita da ex-cunhada, que aceita posar para ela, e a história toma um rumo surpreendente.
Koji Fukada e Charline Bourgeois Tacquet participam da disputa pela Palma de Ouro pela primeira vez e seus longas são aguardados com expectativa. Por coincidência da programação, este primeiro dia da competição é o único que respeita a tão sonhada paridade de gênero em Cannes.
Uma diretora mulher para cada quatro homens
Apesar do cartaz do festival este ano, que homenageia as heroínas de "Thelma e Louise", de Ridley Scott, a paridade de gênero recua. Dos 22 filmes selecionados, apenas cinco são dirigidos por mulheres, todas europeias, sendo duas francesas, uma belga, uma austríaca e uma alemã. No ano passado, sete diretoras estavam na disputa.
Se forem contabilizados os filmes selecionados em todas as mostras de Cannes, oficiais e paralelas, a paridade ainda está longe de ser alcançada. Das 125 obras que serão exibidas até o dia 23 de maio, 45 foram realizadas por cineastas mulheres, o que representa 36% do total.
Essa participação é criticada e considerada insuficiente pelo coletivo feminista 50/50. O diretor geral do festival, Thierry Frémaux, descarta qualquer política de cotas em Cannes, mas se defende diante da falta de paridade. Segundo ele, o percentual de mulheres corresponde ao dos filmes enviados por diretoras no processo de pré-seleção.
Até hoje, apenas três diretoras ganharam a Palma de Ouro. A francesa Justine Triet foi a última delas, em 2023, com "Anatomia de uma Queda".
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.