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Lembra disso? Júnior foi a voz de uma canção para a seleção em 1982

"Voa, Canarinho, Voa" foi um grandioso sucesso no Brasil naquela época

24 mar 2026 - 17h00
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Lembra disso? Júnior foi a voz de uma canção para a seleção em 1982
Lembra disso? Júnior foi a voz de uma canção para a seleção em 1982
Foto: The Music Journal

A história da trilha sonora da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México, é indissociável da figura de Leovegildo Lins da Gama Júnior, o Maestro Júnior. Mais do que um lateral-esquerdo (ou meio-campista) cerebral, Júnior foi o porta-voz da alegria e do otimismo brasileiro naquele ano através do samba Voa, Canarinho, Voa, lançado pela gravadora RCA naquela época.

Embora a campanha do Brasil tenha terminado de forma melancólica nos pênaltis contra a França, a música de Júnior se tornou um fenômeno cultural sem precedentes, vendendo centenas de milhares de cópias e definindo uma era do futebol-arte.

O contexto: do gramado para o estúdio

Foto: RCA / The Music Journal

Em 1982, o Brasil encantou o mundo com o time de Telê Santana (1931-2006), mas saiu da Espanha com a Tragédia do Sarriá. Para a Copa de 1986, o sentimento era de uma última chance para aquela geração de ouro (Zico, Sócrates, Falcão e o próprio Júnior).

Júnior, que na época jogava no futebol italiano pelo Torino, sempre foi um amante do samba. Ele não era apenas um "jogador que gravou um disco"; ele era um músico respeitado no meio, tocando violão e percussão com desenvoltura. A ideia de gravar uma música para a Seleção não partiu de um plano de marketing mirabolante, mas de uma amizade com o compositor Memeco.

Voa, Canarinho, Voa foi composta por Memeco e Nonô, e Júnior foi convidado para dar voz à obra. A letra era um hino de incentivo, carregada de esperança e referências ao estilo de jogo brasileiro.

"Voa, canarinho, voa / Mostra pra esse povo que você sabe voar / Voa, canarinho, voa / Faz o mundo inteiro de novo se encantar", diz a letra.

O refrão chiclete e a batida leve do samba de raiz conquistaram o público instantaneamente. A música não falava de guerra ou combate, mas de encanto e de "dar o nó no adversário", termos típicos das peladas e do futebol de rua que a seleção de 1986 ainda preservava.

Sucesso fenomenal e o Disco de Platina

Quando o compacto simples (o disco de vinil pequeno) foi lançado pela gravadora RCA, ninguém previu a magnitude do sucesso. Voa, Canarinho, Voa tocou exaustivamente nas rádios, em programas de TV e se tornou o hino oficial de qualquer churrasco ou concentração de torcedores.

O compacto vendeu mais de 800 mil cópias, um número astronômico para a época, rendendo a Júnior um Disco de Platina. O clipe gravado para o programa Fantástico mostrava Júnior cantando e fazendo passos de samba discretos, o que humanizou ainda mais a figura do ídolo.

Em diversas entrevistas ao longo das décadas, Júnior relembrou com bom humor como a música quase "atrapalhou" sua rotina de atleta. Ele conta que, ao chegar no México para a Copa, os companheiros de Seleção o provocavam constantemente.

"O pessoal brincava que eu estava mais preocupado com as paradas de sucesso do que com os cruzamentos," relatou Júnior em uma entrevista ao Globo Esporte. "Mas a verdade é que aquela música uniu o grupo. Era o que ouvíamos no ônibus, no vestiário. Trouxe uma leveza necessária para um grupo que ainda carregava o peso de 1982."

Júnior relata que até os mexicanos aprenderam o refrão. O Brasil era o favorito sentimental do público local, e a música servia como uma ponte cultural. Para o Maestro, o segredo da música foi a autenticidade: não era um cantor profissional tentando fazer média, era um jogador que realmente amava o samba transmitindo a confiança da torcida.

O Desempenho em campo vs. o sucesso nas paradas

Enquanto Voa, Canarinho, Voa voava alto nas paradas de sucesso, a Seleção Brasileira enfrentava desafios físicos e técnicos. Zico estava lesionado e jogou no sacrifício. Júnior, aos 32 anos, já não tinha o mesmo vigor de 1982, mas compensava com uma técnica absurda.

O Brasil fez uma campanha sólida, sem sofrer gols na fase de grupos. O auge técnico daquela equipe (e o momento em que a música mais foi cantada) foi na vitória por 4 a 0 contra a Polônia nas oitavas de final. Parecia que o Canarinho iria realmente encantar o mundo novamente.

O Fim do Sonho

O confronto contra a França, nas quartas de final, é considerado um dos maiores jogos da história das Copas. Após o empate em 1 a 1 no tempo normal e prorrogação, o Brasil caiu nos pênaltis.

Ironicamente, a música que pregava o "voo" livre do canarinho teve suas asas cortadas em Guadalajara. Júnior, que foi substituído naquela partida, assistiu do banco o fim de uma era. No entanto, ao contrário de outras músicas de Copa que são esquecidas após a derrota, Voa, Canarinho, Voa sobreviveu ao tempo.

Relembre:

The Music Journal The Music Journal Brazil
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