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Martinho da Vila regrava 1º disco para comemorar 45 anos de carreira

27 jul 2012 - 16h40
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Aline Lacerda

O sambista Martinho da Vila comemora 45 anos de carreira em 2012 e registra a data com o CD 4.5 Atual . Ainda sem agenda em São Paulo, o show de lançamento será no Rio de Janeiro no próximo sábado (28), no Vivo Rio. Como sugere o nome, o trabalho é a regravação com roupagem totalmente atualizada do primeiro disco do cantor feito em 1969, chamado Martinho da Vila .

Segundo ele, na época, as músicas foram gravadas de forma simples e, agora, teve a chance de incrementar canções que se tornaram clássicos da MPB. "Elas estão atualizadas com mais alguns instrumentos, com um reforço vocal e tecnicamente mais bem feitas. Mais bem vestidas, eu diria", disse Martinho em entrevista ao Terra. Satisfeito com o resultado, ele completou: "fico feliz por ter conseguido ter feito de novo e feito melhor".

A música de abertura do disco é Menina Moça, primeira canção apresentada publicamente pelo sambista no Festival da Música Popular Brasileira, de 1967, mas que foi impedida de ser gravada por causa da censura. "A música foi um pouco revolucionária. Mas hoje é uma música normal, porque fala da insatisfação das pessoas, em particular, da mulher", disse. O CD traz ainda três canções que não estavam no antigo repertório, as inéditas Partido-alto de roda e Samba dos Passarinhos e a regravação de Pãozinho de Açucar, música que Martinho compôs para sua mulher, Cléo.

Nestes 45 anos de carreira, o cantor e compositor acumula mais de 40 CDs lançados, diversos prêmios conquistados e uma história de enredos e desfiles com a escola de samba do coração, Unidos de Vila Isabel. Além da música, Martinho da Vila se arrisca também na literatura, tendo publicado 11 livros.

Terra - Quando surgiu a ideia de regravar o primeiro disco Martinho da Vila, de 1969, como maneira de comemorar os 45 anos de carreira?

Martinho da Vila -

O cantor comemorou o resultado do projeto: "fico feliz por ter conseguido ter feito de novo e feito melhor", disse ao  Terra
O cantor comemorou o resultado do projeto: "fico feliz por ter conseguido ter feito de novo e feito melhor", disse ao Terra
Foto: Divulgação

Há algum tempo pensei que se um dia eu pudesse, iria fazer a regravação dele todo e atualizar o som. Porque ele foi gravado há mais de 40 anos e as condições técnicas não eram muito boas. Foi gravado também em condições muito precárias com poucos instrumentos, apenas um violão e um cavaquinho, então, eu queria que melhorasse as harmonias. Aproveitei que estou fazendo 45 anos de carreira e resolvi fazer isto.

Terra - Quais as diferenças entre os recursos técnicos usados nesta nova gravação?

Martinho da Vila -

Naquele tempo, os estúdios não captavam bem os instrumentos e eram usados oito canais apenas. Eles não masterizavam o disco. No passado, os discos não tinham a qualidade sonora de hoje, então fiz isso: atualizei.

Terra - Quantas pessoas participaram na montagem do projeto?

Martinho da Vila -

Na gravação do primeiro disco foram poucos músicos. Era um trio de vocal, um violão, um cavaquinho, um pandeiro e uma cuíca, às vezes. E agora nós botamos bastante. Só de vocal, botamos nove vocalistas e usamos contrabaixo, bateria, violão, cavaquinho, sopros. Fizemos tudo baseado nos arranjos originais para não ficar muito diferente para os fãs. Eu gostei bem do resultado!

Terra - Qual é a música na qual sentiu a maior diferença devido aos novos recursos técnicos?

Martinho da Vila -

Tem uma música que ficou bem diferente, ela se chama

Grande Amor

. Na época, ela foi gravada só com cavaquinho e um violãozinho e, agora, nós fizemos um arranjo bem caprichado e ela ficou muito legal!

Terra - O disco tem também três canções que não estavam no primeiro trabalho. Por que elas foram incluídas?

Martinho da Vila -

Além das músicas do disco de 69, eu botei na abertura a primeira música que cantei publicamente,

Menina Moça

, e que não foi gravada na época. Naquele tempo cabiam menos faixas no disco, e nesta regravação eu botei faixas que considero complementares,

Samba dos passarinhos

,

Pãozinho de Açucar

, e uma supernova, que é

Partido-alto de roda

.

Terra - Partido-alto de roda foi sua última composição?

Martinho da Vila -

Eu fiz ela mesmo para colocar nesse disco.

Samba dos Passarinhos

também não é muito antiga não. Ela tem pouco tempo, mas eu não tinha gravado antes.

Pãozinho de açúcar

foi escolhida porque há tempos eu pensava em fazer uma regravação dessa forma que foi feita e o resultado acho que ficou legal.

Terra - Menina Moça você cantou no Festival de 1967 em um contexto social e histórico muito particulares. O que você acha que ela significou naquela ocasião e por que escolheu abrir o disco com ela?

Martinho da Vila -

Na época, ela causava uma certa estranheza. Isso porque estava no auge da discussão da lei do divórcio no Brasil e havia muita gente contra e havia também grupos favoráveis. Era uma discussão constante e havia controvérsias. A palavra desquite também não era usada com frequência. E eu coloquei ainda outra palavra que era considerada praticamente um palavrão, que é amigar. Então a música foi proibida para regravações, eu não pude gravar naquele disco. Depois, no segundo, também não. Depois eu coloquei mais um pedacinho, a segunda parte da música, consegui a liberação da censura e fiz a primeira gravação dela no disco

Memórias de um Sargento de Milícias

, em 1971.

Terra - Você acha que não teve uma classificação melhor no Festival (foi para as eliminatórias, mas não chegou à final) devido a estas palavras que usou na letra?

Martinho da Vila -

A música foi um pouco revolucionária. Mas hoje é uma música normal, porque fala da insatisfação das pessoas, em particular, da mulher.

Terra - Como você espera que o disco seja recebido pelo público e pela crítica?

Martinho da vila -

Acredito que vai ser muito bem recebido. O que eu fiz é muito perigoso, difícil, e até não é aconselhável você regravar um disco. Porque o público gosta da música daquela forma, daquela maneira, e quando a gente grava de outra maneira as pessoas geralmente não gostam muito. Neste caso, ele não vai estranhar porque as canções não são diferentes, só estão atualizadas com mais alguns instrumentos, com um reforço vocal, tecnicamente mais bem feitas, mas respeitando o arranjo original, porque assim ninguém estranha. Se eu fizer outra versão, as pessoas não vão gostar, mas aqui as músicas estão da mesma forma, só estão mais audíveis, mais bem cantadas, mais bem vestidas, eu diria. Fico feliz por ter conseguido ter feito de novo e melhor.

Terra - Quais os próximos planos depois da divulgação do CD, já tem algum outro projeto em andamento?

Martinho da Vila -

Me perguntaram outro dia se eu ia fazer regravações de todos os meus discos. Eu não pretendo porque gosto muito do jeito que eles são. Meu segundo disco, Meu Laiaraiá (1970), porém, que é praticamente da mesma época do primeiro, também tem umas deficiências. Quem sabe com uma nova sonoridade ele ficaria mais audível e as pessoas gostariam mais dele. Talvez um dia eu ainda o regrave.

Fonte: Terra
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