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Don Felipe e o olhar que o samba esperava

Entre análises musicais, histórias e afeto, o comunicador preenche uma lacuna ao tratar o gênero com profundidade e reverência

30 jan 2026 - 18h37
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Luís Don ou como é conhecido nas redes
Luís Don ou como é conhecido nas redes
Foto: The Music Journal

Luís Don ou como é conhecido nas redes sociais, Don Felipe, tem ganhado notoriedade nas redes sociais com seu carisma ao trazer informações sobre o mundo do entretenimento e atualidades. Formado em teatro, o ator, produtor e roteirista trafega com facilidade pela linguagem da internet, sem perder o tino jornalístico, e preencheu com propriedade um nicho que carecia de uma figura apaixonada por comunicação como ele: a análise profunda e respeitosa do samba e do pagode. O comunicador se tornou referência quando se trata de falar sobre o gênero na internet.

Don trata o samba com reverência e a partir dessa conexão afetiva desenvolveu o projeto de compartilhar com seu crescente público reflexões em cima das canções do gênero. O influenciador preenche uma lacuna histórica de crítica especializada que conecta a produção pagodeira e sambista ao cotidiano das pessoas.

Artistas tem reconhecido Don dentro desse lugar, o seguindo e citando-o quando o assunto é música. Recentemente, o cantor Mumuzinho, um dos maiores nomes atuais do samba, mandou um áudio carinhoso em resposta ao vídeo gravado por Don sobre a música Eu Mereço Ser Feliz. Além do público, a cena artística tem assinado a posição de Don.

"Recentemente, fiz um vídeo sobre um grupo feminino de pagode que o Neymar deveria ouvir e dar visibilidade. O vídeo reverberou e muita gente entrou em contato comigo", relembra Don. Foi esse insight que revelou uma "defasagem de profissionais falando sobre isso" de forma aprofundada.

Ele abraçou o nicho e, desde então, seu crescimento tem sido "substancial e constante", conectando-se diretamente com artistas e o público do gênero. "Os artistas já me conhecem, já acompanham meus stories minhas histórias e já falam meu nome no palco, uma loucura do nada", comemora.

A trajetória de Don na internet começou em 2016, com o projeto Quadro Negro, que visava adaptar textos clássicos da literatura com elencos negros. Envolvido com produção cultural e ativismo, inclusive com passagem pela Superintendência de Igualdade Racial, ele buscou ecoar sua voz na comunidade através da cultura desde muito cedo. Empreendedor, foi buscando e refinando novas ideias para propagar suas mensagens nas redes, sendo correspondente de páginas grandes como Africanize e Site Mundo Negro. No entanto, ele queria mais que apenas agir como um correspondente jornalístico.

Don: "Eu quero manter a profundidade e o esmero das reflexões que trago"

"Eu quero manter a profundidade e o esmero das reflexões que trago, mas acho que busco ser menos sisudo. Quero que as pessoas reflitam sobre letras, melodias, artistas, conheçam os compositores, mas sem que eu me coloque como um guia, como o dono da verdade. Quero consolidar esse diálogo que tenho estabelecido com elas", reflete Don.

Suas interações com nomes nacionalmente reconhecidos como Yuri Marçal, Thiaguinho e Bruno do Sorriso Maroto, mostram que está no caminho certo e que as portas se escancararam para seus planos.

Há cerca de oito meses Don encontrou o caminho que alinharia engajamento, reconhecimento e paixão pessoal. Ele percebeu a falta de crítica musical sistemática e respeitosa dedicada ao samba e ao pagode: "Se você pesquisar no Google, vai achar crítica de discos da Legião Urbana, mas não de Raça Negra ou Só Pra Contrariar", pontuou. "Talvez seja por causa de um preconceito com o gênero, que na época não era visto com bons olhos, mas isso tem mudado e eu quero fazer com que mude ainda mais".

Ele exemplifica com sua abordagem à música Eu Mereço Ser Feliz, do Mumuzinho, que pode ser tratada não apenas como análise técnica, mas como um motivador para o início da semana, fortalecendo emocionalmente seu público, convocando autoestima para sua comunidade.

A relação de Don com o pagode é orgânica e afetiva. Nascido e criado no subúrbio carioca, ele descreve o gênero como a "trilha sonora" natural de sua vida: "É quase família… no almoço de família, bota um som, vai ser um pagode ou um samba. Ele é inegociável", conta, lembrando de memórias de duas grandes referências musicais de sua vida: Jovelina Pérola Negra e Raça Negra.

Ele também reflete sobre o poder unificador do ritmo: "A música tem um poder ritualístico, quase religioso, o pagode potencializa ainda mais isso", analisa. Em eventos como a Tardezinha, ele observa a junção de diferentes classes sociais e visões políticas em torno da emoção compartilhada. "As pessoas vão se divertir e se conectar e isso é incrível se levar em conta os tempos de polarização política e extremismo que vivemos. Eventos como Numanice (Ludmilla), Tardezinha (Thiaguinho), e outros shows de pagode estão conectando as pessoas e eu quero que mais pessoas entendam a mágica por trás do gênero e das canções", conta.

Recentemente, Don tem garimpado discos raros de Bezerra da Silva, Alcione e outros ícones para poder ganhar novas perspectivas na exploração dessa empreitada em se tornar referência sobre o tema. Suas ambições vão de abordar da criação musical à estética pagodeira, tantas vezes rechaçada, mas cooptada pela moda "alternativa". Também está nos planos do influenciador destacar a importância dos encartes físicos e dos compositores e letristas muitas vezes esquecidos. A ideia é usar o pagode como meio para refletir sobre a vida, a cultura e a sociedade.

"Meu grande desafio é seguir me consolidando como referencial quando se fala de samba e pagode, manter a rigidez jornalística na fase de pesquisa, mas apresentar e trazer mais para o dia a dia. Eu quero que o público me chegue como um amigo que usa o pagode e o samba para ilustrar situações que a gente vive", conclui Don.

The Music Journal The Music Journal Brazil
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