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Ministro Sérgio Sá Leitão demite três e troca cúpula da Cultura

Leitão demitiu nesta segunda, 25, ao menos três dos seis secretários: Débora Albuquerque (Cidadania e Diversidade Cultural), João Batista da Silva (Audiovisual) e Mansur Bassit (Economia da Cultura)

25 jun 2018
22h04
atualizado em 26/6/2018 às 16h06
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BRASÍLIA - A seis meses do fim do governo Michel Temer, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, decidiu trocar metade da cúpula da pasta. Leitão demitiu nesta segunda, 25, ao menos três dos seis secretários: Débora Albuquerque (Cidadania e Diversidade Cultural), João Batista da Silva (Audiovisual) e Mansur Bassit (Economia da Cultura).

O ministro disse à reportagem que os "ajustes são pontuais" e que alguns secretários vão deixar o cargo a pedido. "Algumas mudanças se devem às alterações que fizemos na estrutura do MinC e nas atribuições das áreas. O decreto com a nova estrutura foi publicado na semana passada. Alguns estão saindo porque pediram. Procuramos fortalecer a equipe", disse Leitão.

Os três secretários de saída ainda devem ficar no cargo por mais uma semana, com a demissão oficializada na segunda-feira, dia 2 de julho. Eles foram avisados de que Leitão quer montar uma equipe própria. "Ele está no direito dele em trocar, mas não sei os motivos", disse Bassit.

O Estado apurou que os atuais secretários foram comunicados da exoneração, por telefone, pela nova secretária-executiva da pasta, Cláudia Pedrozo. Ela tomou posse e já despachou como ministra interina hoje, enquanto Leitão cumpria agenda em Washington, nos Estados Unidos. Cláudia Pedrozo substituiu na Secretaria Executiva Mariana Ribas, nomeada para a diretoria da Agência Nacional do Cinema (Ancine).

Neste mês, a permanência de Leitão chegou a ser questionada depois de ele entrar em colisão com decisão do governo de redistribuir parcelas da arrecadação com as loterias federais para a Segurança Pública. Leitão planejava usar recursos do Fundo Nacional da Cultura, abastecido com dinheiro advindo das loterias, para financiar projetos de âmbito nacional, selecionados por meio de editais. Por isso, rebelou-se contra a decisão de Temer, capitaneada no governo pelo ministro Raul Jungmann.

Leitão classificou a Medida Provisória 841, que criou o Fundo Nacional de Segurança Pública e previu o repasse da receita com loterias, como uma "medida equivocada", que não tinha o apoio do MinC".

Depois, em nota, negou a intenção de sair do governo e reiterou "seu respeito e apoio ao presidente Michel Temer e à política de segurança pública do governo federal". O Ministério do Esporte também foi contra, e o governo prometeu reestudar o texto da MP 841 - que está em vigor e ainda não foi alterada.

A secretária Débora Albuquerque, uma das demitidas hoje, é de Recife e ligada a Jungmann. Ela chegou ao cargo na gestão do ex-ministro Roberto Freire, presidente nacional do PPS. Mansur Bassit também pertence à era Roberto Freire, mas não tinha militância partidária - ele foi diretor da Câmara Brasileira do Livro. João Batista da Silva é servidor público de carreira e desde a década de 1990 atua no MinC e áreas correlatas.

Erro. O ministro afirma que nunca cogitou pedir demissão e que o rumor sobre sua saída surgiu por erro de informação de um veículo do governo federal. Leitão disse que o secretário do Audiovisual, João Batista da Silva, foi quem pediu para deixar o cargo.

"A saída da Débora aconteceu porque na nova estrutura duas secretarias foram fundidas. Tive que optar por uma das secretárias anteriores. Ofereci a ela outro cargo, mas ela preferiu sair para retornar à iniciativa privada. No caso do Mansur, foi apenas uma questão de perfil, considerando as tarefas da Secretaria de Economia da Cultura até o fim do ano", disse o ministro.

Segundo o MinC, Débora não aceitou ser deslocada para uma representação regional no Nordeste - um cargo de menor relevo. A pasta informou que apenas ela foi comunicada da demissão por telefone - os demais, pessoalmente pela secretária-executiva da pasta.

Estadão Conteúdo

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