Jornalista será julgado por ameaçar queimar miss com ácido
Modelo que esteve no Miss Universo e homenageou Maradona viveu meses de terror psicológico
“Vou queimar essa sua cara de miss com ácido”, avisou, repetidas vezes, a voz masculina em ligações anônimas. Quem viu a bela Miss Argentina Alina Akselrad sorridente e confiante no Miss Universo, realizado no dia 16 de maio, nos Estados Unidos, não imagina a tortura psicológica sofrida por ela até chegar ao concurso, no qual ficou no Top 21.
Ao longo de meses, em 2019, ela foi vítima de um stalker. Recebia ligações frequentes com ameaças de agressão física. Em várias delas, o homem revelava detalhes da rotina da miss e de seus familiares. Era inegável que o perseguidor vigiava Alina bem de perto. Em pânico, a estudante de jornalismo de 22 anos mudou de casa, de cidade, de número de telefone. Nada adiantou. A intimidação prosseguiu.
“Ligavam de madrugada, quase todos os dias”, contou a Miss ao jornal ‘Clarín’. “Um dia, quando eu estava fora, a voz disse que eu e minha família iríamos tomar banho frio. Não entendi. Quando cheguei em casa, vi que alguém tinha quebrado o aquecedor de água. As ameaças tinham conexão com a realidade.” A pressão psicológica foi tamanha que Alina decidiu deixar a Argentina por um tempo.
Com gravações dos telefonemas, a mãe da miss, Silvia Toraño, fez uma investigação particular. Mostrou os áudios para várias pessoas das cidades vizinhas de onde moravam. Um conhecido reconheceu: era a voz do jornalista Ignacio Morera, que trabalhava em uma rádio da região. A apuração da polícia confirmou a identidade do perseguidor. A miss sabia quem ele era, mas os dois nunca haviam conversado. Tinham tido apenas contato visual em eventos.
Silvia conhecia o dono da rádio. Ligou para ele e denunciou o funcionário. Minutos depois, Ignacio fez contato. Admitiu que era o autor dos telefonemas. Jurou se tratar apenas de brincadeira e implorou para não ser denunciado à polícia. “Não destrua meu trabalho, sou um comunicador, sou um jornalista importante”, argumentou o stalker. Na época, Silvia se submetia a tratamento quimioterápico contra um câncer.
Indiciado e réu em processo, Ignacio Morera pode ser condenado a até 3 anos de prisão. “É importante denunciar antes que algo efetivamente aconteça”, afirma Silvia. Alina Akselrad ainda não se recuperou totalmente do trauma. “Você sente sua vida e seus sonhos ameaçados e não entende por que essas coisas acontecem com você”, diz a miss. “Entendi que a violência de gênero não são apenas golpes físicos, mas também palavras, o olhar indiferente que se transforma em humilhação, manipulação psicológica.”
Artistas como Sandra Bullock, Catherine Zeta-Jones, Selena Gomez, Jennifer Aniston e Justin Bieber também sofreram com a ação de perseguidores. No Brasil, casos semelhantes ocorreram com Xuxa, Ana Hickmann, Sophia Abrahão, Eliana, entre outros famosos.