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Jornalista será julgado por ameaçar queimar miss com ácido

Modelo que esteve no Miss Universo e homenageou Maradona viveu meses de terror psicológico

27 mai 2021 12h04
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“Vou queimar essa sua cara de miss com ácido”, avisou, repetidas vezes, a voz masculina em ligações anônimas. Quem viu a bela Miss Argentina Alina Akselrad sorridente e confiante no Miss Universo, realizado no dia 16 de maio, nos Estados Unidos, não imagina a tortura psicológica sofrida por ela até chegar ao concurso, no qual ficou no Top 21.

Alina Akselrad precisou de tratamento psicológico para superar o trauma provocado pelo jornalista obcecado
Alina Akselrad precisou de tratamento psicológico para superar o trauma provocado pelo jornalista obcecado
Foto: Divulgação/Miss Universo

Ao longo de meses, em 2019, ela foi vítima de um stalker. Recebia ligações frequentes com ameaças de agressão física. Em várias delas, o homem revelava detalhes da rotina da miss e de seus familiares. Era inegável que o perseguidor vigiava Alina bem de perto. Em pânico, a estudante de jornalismo de 22 anos mudou de casa, de cidade, de número de telefone. Nada adiantou. A intimidação prosseguiu.

“Ligavam de madrugada, quase todos os dias”, contou a Miss ao jornal ‘Clarín’. “Um dia, quando eu estava fora, a voz disse que eu e minha família iríamos tomar banho frio. Não entendi. Quando cheguei em casa, vi que alguém tinha quebrado o aquecedor de água. As ameaças tinham conexão com a realidade.” A pressão psicológica foi tamanha que Alina decidiu deixar a Argentina por um tempo.

Com gravações dos telefonemas, a mãe da miss, Silvia Toraño, fez uma investigação particular. Mostrou os áudios para várias pessoas das cidades vizinhas de onde moravam. Um conhecido reconheceu: era a voz do jornalista Ignacio Morera, que trabalhava em uma rádio da região. A apuração da polícia confirmou a identidade do perseguidor. A miss sabia quem ele era, mas os dois nunca haviam conversado. Tinham tido apenas contato visual em eventos.

A Miss Argentina homenageou Diego Maradona, morto em novembro de 2020, na prova de traje típico no Miss Universo
A Miss Argentina homenageou Diego Maradona, morto em novembro de 2020, na prova de traje típico no Miss Universo
Foto: Reprodução/Twitter/@missuniversearg

Silvia conhecia o dono da rádio. Ligou para ele e denunciou o funcionário. Minutos depois, Ignacio fez contato. Admitiu que era o autor dos telefonemas. Jurou se tratar apenas de brincadeira e implorou para não ser denunciado à polícia. “Não destrua meu trabalho, sou um comunicador, sou um jornalista importante”, argumentou o stalker. Na época, Silvia se submetia a tratamento quimioterápico contra um câncer.

Indiciado e réu em processo, Ignacio Morera pode ser condenado a até 3 anos de prisão. “É importante denunciar antes que algo efetivamente aconteça”, afirma Silvia. Alina Akselrad ainda não se recuperou totalmente do trauma. “Você sente sua vida e seus sonhos ameaçados e não entende por que essas coisas acontecem com você”, diz a miss. “Entendi que a violência de gênero não são apenas golpes físicos, mas também palavras, o olhar indiferente que se transforma em humilhação, manipulação psicológica.”

Artistas como Sandra Bullock, Catherine Zeta-Jones, Selena Gomez, Jennifer Aniston e Justin Bieber também sofreram com a ação de perseguidores. No Brasil, casos semelhantes ocorreram com Xuxa, Ana Hickmann, Sophia Abrahão, Eliana, entre outros famosos.

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