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Por que Deolane Bezerra recebe cartas de amor na prisão? Especialistas explicam o fenômeno

Psicóloga e pesquisador do comportamento analisam a atração por figuras públicas encarceradas

10 jun 2026 - 17h21
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A notícia de que Deolane Bezerra tem recebido cartas de amor durante o período em que esteve presa reacendeu um debate que parece contraditório à primeira vista: por que algumas pessoas desenvolvem interesse amoroso ou até sexual por alguém que está atrás das grades?

Foto: Mais Novela

Para a psicóloga Letícia de Oliveira, a resposta começa pela distinção entre a atração pela pessoa e a atração pelo crime. "O fato de uma pessoa se apaixonar ou desenvolver admiração romântica por alguém que está preso não é tão raro quanto parece. Muitas vezes, as pessoas não se apaixonam pelo crime, mas pela imagem construída em torno daquela figura. No caso de personalidades famosas, existe um sentimento de proximidade emocional chamado relação parassocial, em que o indivíduo sente que conhece intimamente alguém com quem nunca teve contato direto", explica.

A exposição constante na mídia desempenha um papel central nesse processo. "Pessoas muito conhecidas costumam receber declarações amorosas mesmo em situações extremamente negativas, porque a exposição constante aumenta a sensação de familiaridade e interesse", afirma a especialista.

Ela acrescenta ainda outro fator: "Também há casos em que o sofrimento da pessoa presa desperta sentimentos de proteção, cuidado ou desejo de salvar o outro. Algumas pessoas enxergam alguém que está enfrentando dificuldades e passam a idealizar uma conexão afetiva".

O pesquisador do comportamento e especialista em sexualidade Heitor Werneck aponta que o fascínio por figuras transgressoras tem raízes históricas e aparece com frequência na cultura popular.

"A figura do criminoso ou da pessoa presa ocupa um lugar simbólico muito poderoso no imaginário coletivo. Para algumas pessoas, existe uma atração pela ideia de rebeldia, desafio às regras e comportamento fora dos padrões sociais. Não necessariamente há interesse pelo crime, mas pela representação de poder, coragem ou liberdade que aquela pessoa parece transmitir", explica.

Segundo Werneck, a distância física imposta pela prisão pode até intensificar esse fascínio. "O proibido sempre exerceu forte impacto sobre o desejo humano. Em alguns casos, a distância física e emocional criada pela prisão também favorece processos de idealização, porque a pessoa admirada passa a existir mais na fantasia do que na realidade"

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