Pai de Henry Borel se pronuncia após justiça perdoar Monique: 'Mataram meu filho pela terceira vez'
Pai de Henry, Henry Borel, reagiu com revolta à decisão que isentou a mãe do menino de qualquer pena; veja
A condenação de Jairinho a mais de 43 anos de prisão não foi suficiente para trazer alívio a Leniel Borel. O que pesou para o pai de Henry foi a outra decisão da noite: o perdão judicial concedido a Monique Medeiros, que ficou isenta de qualquer cumprimento de pena.
Em manifestação divulgada ao portal LeoDias e compartilhada nas redes sociais após o encerramento do julgamento, na madrugada desta quinta-feira (4), Leniel usou palavras duras para traduzir o que sentiu.
"Mataram meu filho pela terceira vez. A primeira vez foi em 8 de março de 2021, quando Henry Borel foi brutalmente assassinado. A segunda foi quando sucessivas manobras e adiamentos fizeram com que a Justiça demorasse anos para julgar os responsáveis, obrigando uma família inteira a reviver a dor repetidas vezes. E hoje, sinto que mataram meu filho pela terceira vez."
O pai deixou claro que respeita as instituições, mas que respeito não significa silêncio. "Recebo com profunda revolta e indignação a decisão que concedeu perdão judicial à mãe de Henry. Respeito as instituições e a Justiça, mas respeito não significa silêncio. Como pai, jamais conseguirei compreender como alguém que estava presente, acordada, no mesmo apartamento, na mesma noite, diante do mesmo contexto de violência, pode sair sem qualquer pena enquanto uma criança termina morta."
Para Leniel, a decisão vai além do caso de Henry e levanta um debate que atinge toda a sociedade. "E a mensagem que milhares de pais e mães estão tentando entender é: qual é o limite da responsabilidade de quem tinha o dever de proteger uma criança?", questionou.
Em sua manifestação, ele também lembrou que o caso se tornou símbolo da luta contra a violência infantil no Brasil, e que não pretende se calar. "Não vou me calar. Não por mim. Não por vingança. Mas por justiça. Por Henry. Por toda criança que sofre violência atrás de portas fechadas."
O encerramento do texto foi um pedido às pessoas que acompanharam o caso. "Peço que não se lembrem apenas da forma como meu filho morreu. Lembrem-se do Henry sorrindo. Do Henry brincando. Do Henry feliz. Esse é o Henry que carrego no coração todos os dias. E é por ele que continuarei lutando. Até o último dia da minha vida."
Henry Borel morreu na madrugada de 8 de março de 2021, aos quatro anos, após ser levado desacordado a um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O caso motivou a criação da Lei Henry Borel, que ampliou mecanismos de proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica.
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